‘‘Livre das amarras que a gestão pública lhe impõe, a companhia manterá a condição de alicerce do desenvolvimento paranaense.’’
O mundo está passando por profundas transformações econômicas. A interdependência dos mercados e o desenvolvimento dos meios de comunicação imprimem um ritmo de mudanças na vida das nações jamais visto. Gostos e preferências dos consumidores, tecnologias e produtos mudam de maneira constante e veloz.
Apesar de algumas resistências, as barreiras comerciais estão caindo, elevando o volume do comércio internacional a níveis inéditos. Mercadorias cruzam fronteiras; empresas correm o mundo à procura da melhor oportunidade de investimento, multiplicando em escala planetária os benefícios do emprego e da renda.
O Paraná é símbolo desta nova realidade. Os investimentos industriais que nos últimos cinco anos atingem a fantástica cifra de R$ 16 bilhões, estão revolvendo todo o tecido social do Estado, alterando o dia-a-dia da nossa gente. Novos costumes são criados. Novos desejos nascem. Um futuro promissor delineia-se.
Este cenário de rápidas e contínuas alterações está exigindo dos governos e das empresas um esforço inédito. É preciso adaptar-se a um mundo de exigências e necessidades cujos perfis adquirem novos contornos a cada alvorecer. Setor público e privado têm de atender de forma satisfatória às demandas que nascem todos os dias.
Para fazer frente a estes desafios, criatividade e agilidade são as armas de que os governos e as empresas dispõem. Recusar o novo, fechar-se em torno de dogmas e negar a transformação constante da realidade pavimentam o caminho que leva à estagnação.
A Copel é um dos símbolos mais caros do talento da gente do Paraná. Empresa notável, líder do setor energético nacional e uma das melhores companhias do seu segmento em todo o mundo, ela tem sido um dos sustentáculos do processo de desenvolvimento que arrebata a Terra Paranaense. E é preciso, para bem do nosso povo, que assim continue.
A política de privatização do setor energético implantada pelo governo federal bloqueou o acesso das estatais do segmento às linhas de crédito, liberando-as apenas para as empresas da livre iniciativa. Impossibilitada de recorrer a financiamentos, a Copel terá a sua capacidade de investimento limitada, tornando-se obsoleta ao longo do tempo.
Por outro lado, a legislação para o setor permite que as empresas vendam energia elétrica para qualquer localidade do País. Sem financiamento e com a capacidade de investimento reduzida, a Copel perderá competitividade. Nas mãos do poder público, restará a ela acompanhar a divisão dos mercados entre suas concorrentes privadas.
A proposta paranaense está consoante como uma tendência verificada nas nações mais desenvolvidas do Planeta. Países como Estados Unidos e Canadá, na América do Norte; Alemanha, Noruega e Suécia, na Europa; Austrália, na Oceania; e Argentina, nossa vizinha na América do Sul, já privatizaram os serviços de geração e de distribuição de energia elétrica. Na Alemanha, por exemplo, metade de toda a energia gerada e distribuída está nas mãos da iniciativa privada.
É por isso que o governo do Estado pretende transferir o controle acionário da Copel à livre iniciativa. Para que a empresa continue a desempenhar, com toda força e energia, o papel de destaque que lhe cabe neste admirável mundo em transformação.
Sob administração privada, ela terá mais condições de atender a um mercado que se expande e se torna cada vez mais competitivo.
É apropriado destacar neste momento que a privatização da Copel tem o apoio da população paranaense. No ano passado, o assunto foi exaustivamente discutido na Assembléia Legislativa do Estado. Em dezembro, os deputados concluíram que o Paraná terá somente a ganhar com a desestatização da empresa e aprovaram o projeto.

Ao desestatizar a Copel, o governo do Estado assegurará a perpetuação deste valioso patrimônio, construído com o esforço de muitas gerações de paranaenses. Livre das amarras que a gestão pública lhe impõe, a companhia manterá a condição de alicerce do desenvolvimento paranaense.
- GIOVANI GIONÉDIS é secretário da Fazenda do Paraná e vice-presidente da Comissão de Privatização da Copel



NÃO
Será um inútil sacrifício asteca
Roberto Requião
A importância estratégica de uma empresa pública de energia elétrica, como a Copel, pode ser demonstrada de mil maneiras. Mas basta registrar que entre incentivos devidos e indevidos à montadora de automóveis Renault, por exemplo, destaca-se o desconto de 25% na tarifa de energia elétrica à multinacional francesa. Enfim, entre as vantagens relativas que o Paraná tem oferecido, nos últimos governos, para atrair investimentos, está a capacidade de geração de energia da Copel.
A empresa paranaense de energia elétrica edificada aqui é um modelo de estatal para o Brasil, entre outras coisas, porque estabeleceu verdadeiros diques de contenção ao superfaturamento na construção de barragens e hidrelétricas. A Usina de Segredo é um caso exemplar: ela custou R$ 940 milhões, contrapostos aos R$ 5,5 bilhões consumidos na Usina de Xingó. Mais ainda: os R$ 125 milhões das obras civis de Salto Caxias representam uma notável evolução em relação aos R$ 340 milhões gastos nas obras civis de Segredo. E a perspectiva, em nosso governo, era de que a construção de Salto Caxias não excedesse aos R$ 600 milhões, pagos com recursos próprios da Copel, originários da venda de parte de suas ações que estavam nas mãos do Estado.
No entanto, já no processo de dilapidação do patrimônio público, estabelecido e desenvolvido de forma indelével no atual governo, vimos que, a pretexto de se associar à iniciativa privada, o preço da Usina de Caxias ultrapassou com folga US$ 1 bilhão. Além disso, gorda fatia dos recursos da venda - privatização - da Copel, foi transferida para incentivos - absurda estatização - da Renault e quetais.
E agora, este governo completa o que começou com a proposta de privatização da Copel. Os pretextos para a liquidação total e final da empresa não se sustentam se contrapostos à realidade dos fatos. É mentira, grande e deslavada mentira, o principal argumento desses privatizantes deslumbrados, de que a Copel não teria, em perspectiva, recursos para construir novas hidrelétricas e distribuir a energia gerada. A Copel é superavitária e continuará sendo por muitos e muitos anos.
Se, por acaso, está vivendo alguma espécie de crise, isso se deve à irresponsabilidade de um governador que fez da empresa sua principal fonte de recursos para tapar buracos de caixa. Para que a Copel continue sendo uma empresa competitiva, basta que o governo deixe de sugá-la para cobrir os rombos do Tesouro do Estado.
Dizem eles que a venda da Copel estabelece a concorrência. Concorrência de quem, com quem, se a Copel tem o monopólio da geração de energia elétrica no Paraná.
Se o monopólio público não é uma coisa maravilhosa, o que dizer do monopólio privado?
Dói na alma, angustia e deprime o verdadeiro paranaense ver o que o então governador Ney Braga começou, e que os paranaenses de verdade deram continuidade através de sucessivos governos, ser detonado na chama tímida da lamparina de um governo que se apaga.
São R$ 500 milhões queimados em propaganda, pedágio nas estradas, Banestado quebrado, Sanepar vendida, professores que não recebem o terço de férias, e lá se vai a Copel, imolada como num sacrifício asteca, vertendo o sangue de gerações na carnificina inútil.
Fica a dor e a impotência de um paranaense de sexta geração que já foi governador do Estado. E uma esperança: que um dos grandes governadores do Paraná, Ney Braga, diga não, recuse a participação na ‘‘comissão de privatização’’ do melhor sistema de energia elétrica, idealizado e montado no seu governo.
Finalmente, uma pequena informação para esses amalucados liberalóides provincianos: as usinas hidrelétricas instaladas nos Estados Unidos da América do Norte, pátria e farol ideológico de todos os globalizantes e modernizantes, são públicas, administradas pelos Estados, pela União e algumas pelo Exército.
Paranaenses, à resistência! Vamos continuar o esforço para que a Copel não seja ela também dilapidada e liquidada pela irresponsabilidade de um governo incompetente e desarticulado.
- ROBERTO REQUIÃO é senador paranaense pelo PMDB e ex-governador do Estado

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