Duas manchetes da FOLHA desta semana soam, no mínimo, contraditórias. No último dia 26, ''comemoramos'' a marca de R$ 1 trilhão em impostos arrecadados pelos três níveis de governo nos primeiros 299 dias deste ano. Significa dizer que cada brasileiro, independente da idade, já pagou R$ 5.193 em tributos. Ao mesmo tempo, este jornal trouxe ontem a manchete ''UTI Neonatal pode fechar por falta de recursos'', que relata a luta do hospital e da comunidade de Santo Antônio da Platina, para manter o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a bebês prematuros ou que tenham nascido com algum problema de saúde.
Segundo o provedor do hospital, José Barbosa Filho, nos 18 meses de funcionamento dos oito leitos de UTI neonatal, o total repassado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), somou R$ 1 milhão, enquanto os gastos do setor excederam R$ 1,6 milhão. ''No mês passado, recebemos R$ 40 mil. A despesa mensal é de R$ 85 mil'', relata o provedor.
Em sua defesa, a Sesa alega que os valores pagos pelas diárias nas unidades ''não são tão ruins'' e destaca que nos últimos oito anos, teriam sido criados 151 novos leitos de UTI neonatal no Estado - dentre eles, as oito unidades de Santo Antônio da Platina que estão prestes a fechar as portas por falta de verbas. Mais uma incongruência. Do que adiantam leitos sem recursos? Mas e o recorde de arrecadação? Para onde vão esses impostos? O que é mais importante do que o atendimento hospitalar público e eficiente?
Não adiantam inaugurações suntuosas, com direito a palanque e discurso, se não é assegurado o pleno funcionamento dessas obras.
Todas essas perguntas - que assombram a vida de todo brasileiro - permanecerão sem respostas enquanto não houver um acompanhamento e uma ''punição'' a quem ordena esses repasses, seja a responsabilização civil, criminal ou eleitoral.

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