A continuidade do abuso dos bancos
Ao induzir um potencial cliente a abrir uma conta, os bancos acenam com muitas vantagens, inclusive a isenção de tarifas de serviços, mas em dado momento começam a cobrar. Esta é uma estratégia calculada e ninguém se livra dela, a não ser que tome coragem de resistir aos apelos e não aceite a abertura de conta ou encerre a que tem. Os hábitos tornaram difícil esse procedimento, mas muitos estão tomando a decisão e, se têm de pagar a maioria das suas contas no sistema bancário, já não fazem depósito nele e preferem utilizar dinheiro em moeda. O risco de roubo não é menor do que ocorre nos bancos.
Como exemplo, o caso de um cliente citado em reportagem de ontem deste Jornal, mostrando que no início do ano ele tinha R$ 150 na conta e, só com tarifas, o saldo está agora em apenas R$ 40. Com depositantes que operam pouco ou não fiscalizam, ocorre com frequência de seu saldo chegar a zero e, a partir, daí a conta ir ficando devedora. Então, passam a incidir aqueles juros de praxe, elevadíssimos, que todo correntista conhece mas mesmo assim vai deixando as coisas acontecerem. Quanto às arbitrariedades dos bancos, não há a quem recorrer. Os lucros dessas instituições financeiras e das operadoras de cartões de crédito são fabulosos - melhor dizer-se assassinos - conforme os relatos das páginas de economia. Mas os juros não baixam e os maus serviços de atendimento continuam, incluindo as filas, que nunca se resolvem porque tais estabelecimentos não colocam o número suficiente de caixas, e se os têm não põem atendentes em parte delas.
No Paraná, de janeiro até o último dia 24, o Procon recebeu 4.168 reclamações contra bancos e financeiras. Cobrança de juro abusivo e das conhecidas tarifas - estas entrando aleatoriamente na conta - filas extrapolando limites de tempo, falta de cadeiras para os clientes em algumas alas, indisponibilidade de banheiros para a clientela e desobediência à prioridade para idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais. Porque também estes são colocados em fila única, quando a preferência de atendimento para eles deveria ser em todos os caixas. Mas não é o que ocorre e, em alguns bancos com grande clientela, há casos de até 50 pessoas esperando diante de um só caixa.
A questão das filas, que é a mais simples, não é difícil de solucionar, bastando que as autoridades ajam e obriguem os bancos a colocarem mais caixas, porque esses estabelecimentos têm condições para isso. Quanto aos absurdos maiores - que são os elevados juros e a cobrança de uma centena de tarifas - este é um problema que tem a ver com a ação do Banco Central, do Governo como um todo e dos tribunais.





