É melhor que o juro do cheque especial baixe do que suba, e ao menos quanto a isso quebra-se uma quase tradição no Brasil, mas a informação de ontem dos jornais de que neste mês ocorreu a 8 queda chega a ser risível. Porque a média da última baixa foi de 8,83% para 8,79% ao mês, apenas. O juro mais baixo é o da Caixa Econômica (6,75%) e o mais alto o do Banco Safra, que chega ao absurdo de 12,50%. Os bancos Real e Santander estão cobrando 9,38%, o HSBC 9,34%, o Itaú/Unibanco 8,59% e o Bradesco 8,24%.
Os juros do empréstimo pessoal ficaram na faixa média de 5,27%/mês, mas no geral são extorsivos. Não por acaso o lucro dos bancos que operam no Brasil é sempre astronômico. Por isso - junto das financeiras e das operadoras de cartões de crédito -, navegam continuamente em mar de prosperidade. Enquanto isso a caderneta de poupança paga em torno de 0,60% ao mês, portanto abaixo de 1%.
Há uma diferença gritante entre o dinheiro que o cidadão toma emprestado e o que recebe pelo dinheiro aplicado. Como castas no âmbito da mesma moeda. Porque uma é nobre (a dos bancos) e outra é plebeia. É lícito a qualquer empresa obter lucro, e esta é a meta de todo negócio, mas não passa pelo bom senso o entendimento de que um banco possa cobrar tamanha exorbitância de juro. Já ficar endividado com o cartão de crédito, não pagando no vencimento, ultrapassa tudo o que se possa imaginar, e cair nesse ''buraco negro'' é um passo no caminho da inadimplência. Pessoas e empresas que excedem o limite do cheque especial caem no mesmo despenhadeiro e podem não ter onde segurar-se se a quantia for alta e crescente. O vírus do juro neste país é tão nocivo para a saúde financeira quanto o que ataca o organismo humano. Como, em face dos baixos salários e da rentabilidade limitada das empresas, a recorrência a bancos e agiotas converte-se muitas vezes em necessidade inapelável, esse círculo vicioso fragiliza ainda mais quem entra nessa devastadora roda-viva. As instituições especuladoras do crédito se enriquecem à custa do sacrifício dos segmentos produtivos, que assim têm mais dificuldade de sustentar-se. É diferente do que ocorre em países desenvolvidos, onde esses agentes têm função de lucro mas também função social.
O que ocorre no Brasil, nesse campo, é um inconcebível assalto à economia respaldado pela permissividade governamental. Com juros dessas dimensões, mesmo com todo o esforço da iniciativa privada, é difícil uma nação progredir, porque suas alavancas - que são as atividades produtivas - ficam enfraquecidas e com dificuldade de revigorar-se.

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