A crise financeira na saúde pública de Londrina, polarizada pela Prefeitura e os três hospitais terciários - Hospital Universitário (HU), Santa Casa e Hospital Evangélico de Londrina - que atendem pacientes de toda região, e que se arrasta há meses, pode se agravar muito na próxima semana. No dia 30, vence o prazo concedido pelos médicos plantonistas da Santa Casa e do Evangélico para que o governo municipal reavalie o pagamento dos plantões a distância.
O prazo concedido suspendeu a ameaça de paralisação do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos pronto-socorros - possibilidade que volta a ser considerada caso a administração municipal reitere o posicionamento de não pagar os adicionais de sobreaviso.
Somado a isso, o desencontro de contas entre as direções dos hospitais e técnicos da Prefeitura, revelado na semana passada. Enquanto as instituições de saúde cobram R$ 23,4 milhões de procedimentos de alta complexidade realizados entre 2003 e 2009, o município reconhece pouco mais de R$ 358 mil de dívida.
Ainda na semana passada, o secretário interino da Saúde, Edson Antonio de Souza - ao ter o nome anunciado para o cargo - foi enfático ao afirmar que a dívida pelos procedimentos realizados acima do teto estabelecido em contrato com os hospitais ''não é de responsabilidade da Prefeitura''.
Diante do risco iminente de colapso na saúde pública, não cabe agora avaliar de quem é a conta, mas a melhor forma de equacioná-la. Milhares de pessoas precisam dos hospitais, que independente de teto de repasses, não podem simplesmente fechar as portas e negar atendimento. E se a conta da saúde é repartida entre o Município, Estado e União, por que não conclamar os legais representantes da cidade - no Executivos e Legislativos - para dividir a responsabilidade. Caso as partes não cheguem a um acordo, certamente quem pagará a conta será mais uma vez a população com o risco de paralisação.

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