Nunca presenciamos tamanha agressão ao funcionalismo estadual. Tudo começou com o sorrateiro não pagamento do abono de férias aos servidores no final do ano que passou. Não imaginávamos o que estaria por vir: um pacote de atrocidades trabalhistas contra os servidores, a ser enviado à Assembleia Legislativa (AL), coincidentemente no período de recesso de várias categorias. O governo estadual tramou um atalho para "agilizar" a votação do pacote e contou com a cobertura de 34 deputados, ou seja, numa votação simples e única, todo o pacote com dezenas de pontos que agridem e dilapidam os direitos trabalhistas dos servidores, seriam efetivados sem a menor discussão. Ressalto aqui que dos deputados que votaram a trama com o governo, cerca de um terço deles estava ausente em tal seção e, vergonhosamente, só compareceram minutos antes da votação. Surgiram por detrás das paredes apenas para apertar o botão favorável ao governo, como se fossem marionetes, desrespeitando os seus milhares de eleitores que os elegeram. Eu estava lá e presenciei o fato! É esse o papel de deputados? Tal fato culminou na ocupação da AL - o povo ocupou a sua casa! A ocupação foi um gesto extremo do funcionalismo que se viu iminentemente ameaçado nos seus direitos trabalhistas conquistados. Foi em legítima defesa dos seus direitos ante ao comportamento manipulado e oportunista de 34 deputados governistas, que subestimaram o poder de reação e mobilização dos servidores.
Invariavelmente em todos os grandes movimentos reivindicatórios é muito comum os manifestantes serem taxados com vários "adjetivos", como baderneiros e usurpadores da democracia, na tentativa baixa de impressionar a população. Foi o que aconteceu. Entretanto, não percebeu o governador que a imensa maioria dos "baderneiros" constitui-se de professores e, em geral, toda família tem pelo menos um professor no seu meio. E mais, por maior que imponham as propagandas, hoje temos uma das mídias mais democráticas que é a internet e, às custas dela, as inverdades são desvendadas e rebatidas mais rapidamente.
Entre os pontos propostos no pacote de atrocidades, um deles interfere diretamente na Previdência do Estado e, por consequência, na vida de todos os servidores. Um dos dois fundos da ParanáPrevidência, o Fundo de Previdência, constituído ao longo de 15 anos por servidores públicos estaduais ativos, está sendo ameaçado de ser saqueado pelo governo estadual em R$ 8 bilhões, praticamente todo o seu montante até hoje constituído. Esse fundo e o Fundo Financeiro são irretocáveis por qualquer governo, sob qualquer justificativa, muito menos para cobrir rombos financeiros de uma administração incompetente e que incha cada vez mais a máquina pública com cargos comissionados. Pertencem exclusivamente aos servidores estaduais e somente por eles poderão ser utilizados.
O governador incita a população contra os servidores estaduais, fazendo-se de democrata e destacando a impossibilidade de atender as nossas reivindicações, dadas as condições financeiras do Estado. O seu conceito de democracia está completamente invertido depois das manobras realizadas na AL e as propagadas reivindicações não são novas, e sim, a simples manutenção do que já foi conquistado ao longo de décadas de negociações que transpassaram vários governos. Portanto, nossas reivindicações não são nada a mais do que já temos, nada imprevisto para uma administração competente. Se gastou demais, essa conta não pagaremos!

AIRTON NOZAWA é professor da Universidade Estadual de Londrina



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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