A conquista inédita do patrício Barrichello
Depois de tantos segundos lugares em que foi obrigado a se manter, o piloto brasileiro Rubens Barrichello entra para a história magistral do automobilismo esportivo e assume uma posição que jamais lhe será tirada: a de vencedor do grande prêmio no monumental autódromo de Xangai, na China, o maior e mais moderno do mundo e que, por ser inaugurado na corrida da madrugada de ontem, confere ao detentor do primeiro lugar uma marca inigualável e que era o grande anseio de todos os disputantes. Michael Schumacher, grande estrela depois de Ayrton Senna e que ficou bem atrás no tão esperado GP da China, teve de amargar a presença, no topo do pódio, do companheiro de equipe agora não mais Rubinho, mas um nome superlativo. Se estivesse Barrichello propenso a encerrar a carreira, se poderia dizer que não mais precisaria correr depois desta vitória, tão peculiar, pelas razões apontadas. A placa com seu nome ficará assentada para sempre no memorial do majestoso autódromo, e lá estará não só o seu nome, mas o do Brasil. O sonho de todos os favoritos de Schumacher principalmente era ser o vencedor dessa histórica corrida inaugural do gigantesco autódromo. Todos os padecimentos do corredor brasileiro e óbvio que ele teve também merecidas vitórias anteriores foram redimidos com a conquista de Xangai, e mais não será preciso para consagrá-lo no panteão dos famosos do automobilismo. A história das grandes glórias se escreve por linhas às vezes transversas, como o episódio do corredor olímpico, também brasileiro, Vanderlei Cordeiro de Lima, que, prestes a chegar em primeiro lugar, foi barrado por um fanático e, por isso, só conseguiu a medalha de bronze mas viria a consagrar-se com o grande herói da Olimpíada de Atenas. A milenar e portentosa China, que experimenta na atualidade grande salto de desenvolvimento e, por conta de seus 1,3 bilhão de consumidores/importadores de alimentos, está beneficiando muitos países, o Brasil principalmente, converte-se também na catedral mundial do automobilismo e em referência tecnológica nesse campo. A arena de Xangai, que passa a incluir-se entre as maravilhas estruturais contemporâneas, sublima o esporte das máquinas de corrida e converte-se em foco convergente não só da Fórmula 1 mas de tantas outras, afora o que os chineses ainda poderão inventar no vasto universo das competições sobre rodas agora que atraem a admiração do mundo pela praça fantástica que construiram. Mas é a conquista sui generis do patrício Rubens Barrichello que está em evidência para os milhões de brasileiros, que se não são todos fãs de automobilismo, não conseguirão esconder a ponta de orgulho por essa conquista inédita, que jamais será superada por nenhum piloto.





