Ontem, segunda-feira (6), o primeiro dia útil da polêmica quarentena imposta pelo governo estadual à parte dos municípios paranaenses mostrou que uma boa parcela da população de Londrina decidiu resistir à lei que manda fechar serviços não essenciais.

Mesmo com o decreto estadual que proíbe atividades como comércio de rua, shoppings, salões de beleza e academias, grandes redes varejistas permaneceram fechadas e portas de comércios menores abriram.

A resistência da sociedade não foi surpresa. Desde o anúncio da inclusão de Londrina, na semana passada, entre os municípios que teriam medidas mais restritivas como estratégia ao combate da Covid-19, o governo estadual vem recebendo uma enxurrada de críticas.

O principal apontamento do prefeito Marcelo Belinati e representantes de entidades de produção e serviços foi de que Londrina tem indicadores melhores do que outros municípios que não tiveram atividades suspensas.

A reportagem da FOLHA percorreu algumas regiões da cidade e diante do grande movimento de pessoas pela rua, constatou que a ausência de uma fiscalização mais coordenada das forças policiais contribui para esse cenário.

A Polícia Militar agiu a partir de denúncias e abriu boletins de ocorrência que serão enviados para a prefeitura e para o Ministério Público. Há uma divergência entre Polícia Militar e município de Londrina sobre quem deve fiscalizar as medidas restritivas.

Desde o início da quarentena no Brasil, no final de março, governos federal, estadual e municipal vivem uma situação de conflito quanto às regras do isolamento social.

A FOLHA já se posicionou nesse espaço alertando de que os países mais articulados no combate ao novo coronavírus deixarão mais rapidamente a crise. Assim como aqueles países cujos líderes se comunicam bem com a população. Transparência nos dados e informação com objetividade são essenciais.

Nessa segunda-feira, muita gente desavisada acabou agravando a situação de aglomeração nas ruas justamente por não saber se os estabelecimentos estariam abertos ou fechados. Na dúvida, foram para a rua.

Embates sobre as responsabilidades de cada ente da federação não vão contribuir para solucionar aquela que é a maior crise sanitária dos últimos tempos.

Sem diálogo, não será possível vencer essa pandemia e a crise econômica gerada pela rígida quarentena.

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