A condenação de Carli Filho
Nove anos e quatro meses de reclusão. Essa foi a condenação do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, depois de dois dias de julgamento pela morte de Gilmar Rafael Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20, em acidente de trânsito em maio de 2009. O julgamento tem uma importância grande e atraiu as atenções de todo o País, pois o debate sobre a culpa foi o ponto central do processo e da sessão realizada no Tribunal do Júri, em Curitiba, município onde o desastre ocorreu há quase nove anos. A discussão era se o motorista teve ou não intenção de matar. Relembrando o caso: o então deputado conduzia um Passat importado em grande velocidade 170 km por hora, segundo o Ministério Público -, após ingerir bebida alcoólica. Os dois jovens morreram na hora e os detalhes do desastre violento foram relatados para os jurados e as 200 pessoas que conseguiram senha para acompanhar a sessão. Testemunhas contaram que Carli Filho estava visivelmente embriagado quando saiu do restaurante onde jantou naquele dia 7 de maio, antes de pegar o carro e provocar o acidente fatal. Ele havia consumido tanto vinho, que foi aconselhado por um amigo e o porteiro do estabelecimento a não dirigir. O promotor Marcelo Balzer apresentou provas de que minutos antes do julgamento o ex-parlamentar falou ao celular. E para agravar ainda mais a situação, Carli Filho dirigia com a carteira de habilitação suspensa com várias multas por excesso de velocidade. Como afirmou a mãe de uma das vítimas, a deputada federal Cristiane Yared, o julgamento que terminou ontem é um "divisor de água" na justiça brasileira. A tese da acusação foi aceita pelos jurados que concordaram que o ex-parlamentar deveria ser condenado por duplo homicídio com dolo eventual. Ou seja, Carli Filho assumiu o risco de matar após beber e dirigir em alta velocidade. O argumento da defesa de que o Fit de Gilmar Yared avançou a preferencial não convenceu os sete jurados. O trânsito mata 47 mil pessoas por ano no Brasil e deixa 400 mil pessoas com sequelas. A esperança é que o resultado desse julgamento sirva como exemplo e ajude a evitar mais acidentes.





