A comunicação afastou os homens
A comunicação afastou os homens
Isabel Kugler Mendes
Somos criaturas comunicantes, por essência e por excelência. Não nascemos para viver isolados, mas em comunhão com o próximo. Daí a necessidade de participarmos nossa vivência. Nossas tristezas e alegrias. Nossas vitórias e fracassos. Nossa força e fraqueza. Nossos ideais e esperanças. Nossos planos e projetos.
Essa característica, própria do ser humano, torna o homem um sedento de comunicação. E, é com desespero mesmo, que ele busca de todas as formas os meios para se comunicar. Tenta captar, voluntária ou involuntariamente, todas as mensagens capazes de o tirar do isolamento. Que pode ser pessoal, social, moral ou espiritual. Mas, não raro, a busca de comunicação feita de maneira desordenada, acaba por levar o homem a um maior isolamento e empobrecimento espiritual. Porque hoje vemos os meios de comunicação sendo usados, na maioria das vezes, sem critérios e insensatamente, por pessoas despreparadas e sem dignidade, com promoção pessoal.
É inquestionável que os meios de comunicações podem levar um povo a um estágio de vida, de civilização, ideal. Ou podem torná-lo medíocre, pobre e fracassado. No 17 de maio comemora-se o Dia Mundial das Comunicações e ele exige uma reflexão da sociedade organizada. Porque o poder do comunicador, hoje, é extraordinário. Fabuloso mesmo. Existem recursos técnicos tão sofisticados que permitem, a um só tempo, alcançar milhões de pessoas em todos os quadrantes do Planeta. Desde a imprensa escrita e falada, ao rádio (que ainda é o veículo de maior penetração e mobilização de massas), seguido pela televisão, Internet, até os mais sofisticados satélites que infestam o espaço aéreo, captando toda espécie de informações, os meio de comunicação chegam ao homem fazendo a história da humanidade. História na qual o comunicador tem o papel de historiador, mas que, nem sempre, tem consciência.
Então, será que esse avanço tão grande nos meios de comunicação conseguiu alcançar o que deveria ser o seu principal objetivo: aproximar os homens? É lamentável, mas a resposta é Não. Se conseguiu aproximar as fronteiras do mundo, afastou a dos homens. E por quê? Ouso afirmar que a disputa do poder é o fator preponderante desse afastamento.
Os meios de comunicação, num mundo onde o poder econômico fala mais alto que os interesses humanos são usados na divulgação do que interessa a esse poder. Que pode ser a promoção do consumismo, exploração do sexo, promoção das drogas, incentivo à violência, até as paixões que esmagam os direitos e a dignidade do homem, deformando seu caráter.
A preocupação com o desenvolvimento da cultura, da educação, do progresso, da integração social, econômica e política do povo nunca está presente, porque ao poder interessa apenas deter o monopólio da informação. E daí o grande questionamento: o homem perdeu ou ganhou com a sofisticação dos meios de comunicação? A opinião é pessoal: perdeu! Não soube ele bem dosar esse formidável avanço e com isso perdeu o interesse e a capacidade de comunicar-se com seus semelhantes. Isto gera sua insatisfação, porque recebe a comunicação em massa. Não necessita mais buscar, ou descobrir por si mesmo. E acaba então por isolar-se, esquecendo que a comunicação está ao seu alcance para ajudá-lo na construção de um mundo melhor, onde o homem seja valorizado e respeitado na sua individualidade.
Não podemos esquecer, no Dia Mundial das Comunicações, a mensagem deixada pelo maior comunicador da história da humanidade, Cristo, de que o mais importante meio de comunicação entre os homens é o Amor.
- ISABEL KUGLER MENDES é advogada em Curitiba.





