A complexa questão do salário
Nunca se soube que aumento de salário mínimo tenha quebrado alguma nação, mas ao contrário, são bons ganhos que propiciam a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento. Por isso será preciso sempre avaliar melhor afirmações como a que faz agora o relator para o orçamento federal de 2007, senador Valdir Raupp, de que subir o mínimo de R$ 350 para R$ 420 levará o Brasil à bancarrota. Ele diz que tal medida ''quebraria a Previdência, os Estados mais pobres e os municípios''. Será preciso fazer-se um levantamento de quantos trabalhadores da área oficial estão na faixa do mínimo. Pressupõe-se, pela obviedade, que a maioria dessa classe de assalariados esteja atuando na empresa privada e nos empregos domésticos. Se os ganhos dos aposentados vinculam-se ao índice do salário mínimo e afirma-se que a Previdência é deficitária, melhoria salarial significa disseminação de dinheiro novo no meio circulante e promoção de desenvolvimento econômico, por consequência mais arrecadação tributária. Será preciso calcular o quanto o Governo despenderia a mais com sua porção de trabalhadores da categoria de salário mínimo, somada ao aumento de dispêndio com a Previdência, e quanto também arrecadaria a mais com impostos pela injeção de dinheiro adicional na mão do trabalhador e a consequente ativação do giro financeiro que esses valores promovem. Equivocam-se certos economistas, como se leu ontem nos jornais, ao afirmar que se o Governo concede algumas isenções fiscais tem de arrochar de outro lado. Se venha mesmo a arrochar - e geralmente o faz - isto tem bastante de oportunismo, porque renúncias fiscais ou baixa de impostos significarão mais dinheiro em poder das fontes de produção, e o resultado disto é crescimento econômico e maior arrecadação tributária. Portanto, renúncia é também ganho, cujas proporções só a prática constante dessa política irá determinar. Mas não será preciso matemáticas complexas, bastando olhar para os países desenvolvidos. Ali, produção e salário caminham paralelos e todos têm dinheiro: empresas, trabalhadores, governos. No Brasil, só o Governo tem dinheiro de sobra, porque abocanha em impostos 61% da renda nacional. E não tanto pela dinamização econômica mas sim pelo arrocho. O resultado aí está: muito risco e insegurança dos negócios, classe assalariada com baixo ganho e desemprego. O salário mínimo deveria ser não apenas dos R$ 420 reivindicados, mas 5 vezes mais. E com toda a certeza a nação não quebraria, porque o déficit previdenciário já vem sendo coberto pelo Tesouro. Bastaria equilibrar o orçamento de gastos abusivos do Governo - naturalmente eliminando-os - e quebradeira nenhuma ocorreria. O ônus do aumento do salário mínimo é também das empresas, mas diminuindo os encargos sociais e a carga tributária no geral elas suportariam pagar melhor e contratariam mais, porque o desenvolvimento se implantaria e com ele a riqueza. Para todos.





