De um lado, os sonegadores de impostos, e de outro, governos gastadores compulsivos e sedentos em arrecadar. O contribuinte busca driblá-los onde pode para pagar menos tributos, e os governantes exploram o povo e subtraem de todas as formas o dinheiro dos cidadãos para alimentar a famélica e viciada máquina administrativa e parlamentar que, além de esbanjadora, é corrompida. Sobram farpas também para segmentos do círculo judicial.
O setor dos combustíveis - conforme levantamento da jornalista Loriane Comeli, publicado ontem neste Jornal - ''é uma selvageria'', no dizer de um distribuidor que pediu anonimato. Fala-se de Londrina onde as irregularidades nesse negócio assumem grandes proporções, segundo o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná, Roberto Fregonese. ''Muitos empresários brasileiros possuem uma cultura arraigada de sonegação fiscal'', declara de sua vez o inspetor do Fisco estadual, Rafael Carlos Casanova. Essa foi a resposta dele à pergunta da repórter sobre as sonegações que ocorrem com o álcool.
No caso dos governos a cultura igualmente arraigada se conhece: é a continuidade de histórias de gastos abusivos e corrupção, o que exige manter o baú do dinheiro público abastecido até às tampas. Pode-se afirmar que a sonegação de impostos é algo quase atávico na mentalidade dos contribuintes, mas o sistema governamental é também um grande responsável por essa predisposição porque vale-se de expedientes escusos e aplica mal grande parcela do que arrecada. Isto deixa revoltada a população que paga com má vontade tudo o que se destina ao governo. O escândalo do momento no Senado é uma amostra do que ocorre com regular frequência no meio governamental. Uma denúncia grave, feita por fonte autorizada à repórter - no caso dos combustíveis -, é a adição de água no álcool anidro; outra é o trânsito do produto sem nota fiscal no caminho da distribuidora diretamente ao posto, havendo também denúncia de conluio das usinas. Segundo Fregonese, isso é que faz ''extremamente complicado'' em Londrina o comércio de combustíveis. Alguns empresários também extrapolam a cota legal de adição de álcool na gasolina.
Lacrar as bombas não resolve, segundo aquele agente fazendário, porque ''os sonegadores e falsificadores criam novos métodos de burla''. Os dois distribuidores ouvidos pela FOLHA informam que é nos finais de semana que ocorre a maior incidência de sonegação e adulteração, em Londrina, porque estes são os melhores dias para a prática. A alteração na composição dos combustíves é o mais grave cometimento porque danifica o motor do veículo.
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