A reportagem que a FOLHA publica hoje é estarrecedora. Os números e depoimentos colhidos pelas repórteres Marian Trigueiros e Carolina Avansini quantificam uma realidade que passa despercebida aos nossos olhos todos os dias: jogamos fora, desperdiçamos alimentos que poderiam servir a muita gente que ainda passa fome no Paraná e no Brasil. Do campo à mesa, o desperdício pode chegar a 60%.
  Mais números: durante o transporte e armazenagem da safra, o Brasil perde 22% de seu arroz, 15% do feijão, 17% do milho, 10% da soja. Na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa), 7,3 mil toneladas de comida acabou no lixo, em 2010. Os restaurantes de Londrina e região jogam fora de 20% a 30% da comida que preparam, reféns da legislação que os responsabilizam por qualquer doença, como intoxicação, que venha a acometer quem receber uma doação do que sobra.
  Analisando esses dados, como faz a reportagem, é possível concluir que muito do que se perde poderia estar sendo aproveitado na sagrada função de alimentar. Conscientização, planejamento e investimentos seriam bons remédios para acabar com o desperdício, resultando em economia e lucratividade.
  Instalados em uma região de terra fértil e agraciada por boas condições climáticas, temos a impressão de que a comida estará sempre ali, ao nosso alcance; por isso, todos nós, produtores, intermediários, consumidores e governo, não fazemos muita questão de voltar os olhos para os acostamentos das rodovias ou para os sacos de lixo.
  Esperamos que o alerta que publicamos hoje cause mudanças, conscientize. Basta lembrar que há poucos dias estampávamos também a falta de merenda para os alunos das escolas municipais de Londrina.

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