No dia 25 de novembro, a empresa norte-americana Advanced Cell Technology anunciou avanços significativos em experiências que visam clonar seres humanos. Muitos especialistas julgaram precipitada a revelação feita pela ACT, tendo em vista que o processo ainda está longe de se tornar plenamente eficaz.

Para o veterinário argentino José Cibelli, um dos cientistas que vem coordenando as pesquisas sobre clonagem de embriões humanos, o que houve foi ''somente um avanço nos primeiros passos do desenvolvimento embrionário. Fizemos a transferência nuclear de uma célula somática adulta para formar embriões pré-implantados e chegamos ao desenvolvimento pronuclear, o estágio preliminar de desenvolvimento embriônico de seis células. Nunca divulgamos ter isolado células-tronco''. Isso quer dizer que ainda irá demorar provavelmente uns 10 anos para que a clonagem possa ser reconhecida como uma iniciativa de sucesso.

De qualquer forma, o anúncio de que a ACT está progredindo com as experiências que vem realizando, assustou o mundo inteiro. O congresso norte-americano, o Vaticano, a Organização das Nações unidas (ONU), entidades de direitos humanos, indivíduos e instituições vem se manifestando. A grande maioria é contra tais ações. Recentemente o médico italiano Severino Antinori e o cipriota Panayiotis Zavos declararam na Academia Nacional de Ciências (Estados Unidos) que estão investindo seriamente nas pesquisas de clonagem humana. O tema polêmico ganhou mais uma vez as páginas da imprensa internacional.

Em artigo publicado no jornal ''O Estado de São Paulo'' (28/11/01), o cardeal Dom Cláudio Hummes, ao abordar o assunto, lembrou que o Vaticano repetiu sua posição contrária à clonagem humana, em pronunciamnto realizado pelo monsenhor Renato R. Martino, Núncio Apostólico e observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas. Em 19 de novembro, fez um ''apelo, em base ética e moral, para a rejeição e a proibição de cada um e de todos os aspectos relativos à clonagem de humanos. Esta oposição, por parte da Santa Sé, (...) não deriva somente dos riscos de malformação ou de morte dos embriões como resultado de falhas previsíveis, mas primeiro e principalmente por razões antropológicas e éticas. De fato, (a clonagem) é a geração de uma criança fora do ato de amor pessoal, pois exclui paternidade e maternidade e é uma concepção assexual e agâmica, resultando na falta de união de pessoas e de gametas''. E destaca: ''O ato de clonagem impõe previamente ao clone a imagem e a semelhança do doador e é atualmente uma forma de dominação sobre um outro ser humano, negando a dignidade humana da criança e tornando-a escrava da vontade de outros. A criança acaba sendo vista como objeto e produto da fantasia de alguém, e não como um ser humano único, igual em dignidade a quem a produziu''.

A clonagem humana, portanto, reforça a ambição de recriar a vida em laboratório para manipulá-la com fins puramente utilitários. Pode haver benefícios terapêuticos, mas persiste a tentação de se utilizar a técnica para a reprodução humana. Nesse sentido, ela é moralmente condenável.


VALMOR BOLAN é diretor-geral da Faculdade Editora Nacional (Faenac), de São Caetano do Sul (SP)
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