A primeira pessoa que publicou uma instrução para uma máquina executá-la foi uma mulher, Ada Lovelace, em 1843. Hoje a instrução é reconhecida como o primeiro programa de computador publicado na história da humanidade. Curiosamente, Ada era filha do poeta romântico Byron e, apesar de sua dedicação à matemática, herdou dele uma grande sensibilidade artística.
Foram necessários mais de cem anos até que os conceitos inaugurados pelo algoritmo de Ada fossem aplicados ao primeiro computador do mundo, o Eniac. A partir daí, o mundo acelerou fantasticamente para a era da informação.
Nos dia de hoje, se Ada percorresse os corredores do Mobile World Congress realizado semana passada em Barcelona, ela se deslumbraria com a revolução que seu conceito está proporcionando.
As máquinas programáveis agora estão em nossos bolsos no formato de smartphones. São capazes de nos conectar remotamente com nossas famílias e amigos, prover informação a qualquer hora e local, monitorar nossos dados, entreter, nos guiar pelo trânsito, encontrar o melhor restaurante onde estamos, nos fazer membros das comunidades que escolhemos e muito mais. Mudaram a maneira como agimos e interagimos.
Mas os debates da feira de Barcelona deixaram uma mensagem muito mais forte: estamos apenas no começo! Duas grandes tendências apontadas pelos especialistas (gente do padrão de Mark Zuckenberg do Facebook, do CEO da Samsung, JK Shin, e do VP do Google Sundar Pichai) farão os dias de hoje parecerem da idade da pedra.
A primeira delas é a conexão da metade da população mundial que ainda não acessa a rede. Centenas de bilhões de dólares serão investidos para aumentar as velocidades das redes e chegar com os sinais aos últimos rincões do planeta usando as mais inovadoras tecnologias possíveis. Um mundo 100% conectado eliminará as últimas barreiras à adoção digital.
A segunda grande tendência é a internet das coisas, ou Internet of Things – IoT que conectará os objetos do nosso cotidiano à rede mundial. Existem hoje 7 bilhões de dispositivos conectados no mundo. A internet das coisas elevará esse número a 50 bilhões até 2020. Os objetos conectados permitirão interagirmos não apenas com pessoas, mas com objetos.
Os stands da feira de Barcelona estiveram repletos de empresas incumbentes e start-ups dedicados ao tema. Plataformas, sensores, equipamentos e softwares estão sendo criados numa corrida acelerada pelo controle deste novo ambiente digital que será dominante em nossas vidas. A exemplo de outras tecnologias em seus momentos iniciais, não está claro ainda quais serão as aplicações verdadeiramente úteis. A beleza do processo está exatamente nessa corrida, um incansável jogo de tentativa e erro que culminará em soluções verdadeiramente revolucionárias que transformarão nossa sociedade de forma definitiva. Muitas empresas morrerão ao longo do processo, umas poucas se tornarão gigantes globais.
Cidades ao redor do mundo estão buscando se tornar protagonistas dessas novas tecnologias para se relacionarem de forma mais humana e produtiva com seus cidadãos. Barcelona, Hamburgo e Telaviv, para citar algumas, exibiram na feira programas bastante ambiciosos. No futuro, as chamadas "smart cities" serão verdadeiros diferenciais entre as cidades.
Londrina, que se esforçou ao longo dos anos em controlar uma empresa de telecom, tem hoje ao seu dispor um notável parque de ativos que pode ser a base para a construção de uma cidade inteligente. Vários potenciais atores desse processo já estão presentes na cidade, tais como o APL de TI, Sebrae, Senai, start-ups, e o projeto Cidade Genial. As grandes cidades do mundo estão nesta corrida e Londrina também poderá participar sem que isso possa ser visto como romantismo a la Lord Byron.

FERNANDO LOPES KIREEFF é empresário e investidor em tecnologia em Londrina



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