A carne brasileira é mais gostosa
O Brasil se encontra, no momento, no meio do tiroteio da vaca louca. Alegando que não prestamos as informações solicitadas, o Canadá suspendeu a importação da carne brasileira e retirou das prateleiras a carne industrializada comprada do Brasil. Levou junto os EUA e o México, seus parceiros no Nafta.
Por que isso aconteceu? Será que o Brasil de fato não prestou as informações ou será uma retaliação do Canadá por causa da briga na concorrência da venda de aviões aos EUA. De qualquer modo foi uma decisão precipitada do Canadá, que não levou em conta a verdade dos fatos e os fatos verdadeiros.
O Brasil, detentor de um plantel bovino com mais de 160 milhões de cabeças, possui o segundo rebanho e o gado dos mais sadios do mundo, por que alimentado a céu aberto, em pastagens verdes naturais, em muitos pastos brasileiros hoje com capim moderno, de muita proteína, e tendo muitas horas de sol por dia à disposição, com excelente saúde ambiental, o que possibilita produzir o chamado boi verde, e oferecer ao mundo carne de excelente sabor.
Isso é diferente do gado europeu. Em virtude do longo e rigoroso inverno em grande parte dos EUA e do Canadá, os animais são tratados em confinamento, com ração de farinha de ossos e de resto de carcaça de animais, o que nem sempre se constitui em alimentação saudável e não produz carne sadia e saborosa como a nossa. Daí porque a Inglaterra é a capital da doença da vaca louca, mal que já se espalhou para outros países da Europa e chegou também ao Canadá, conforme relatório elaborado no ano passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em nosso País não existe vaca louca nem boi louco. E essa verdade precisa ser mostrada ao mercado mundial com bastante barulho, de modo obstinado, perseverante e repetitivo. Internamente, é necessário acionar as sociedades e sindicatos rurais, ministério e secretarias de Agricultura, Banco do Brasil, correspondentes da imprensa estrangeira etc., e externamente, sacudir a nossa sonolenta e morosa diplomacia, que tem os seus diplomatas para assuntos econômicos, para mostrar aos organismos internacionais, especialmente Organização Mundial do Comércio (OMC), FMI, Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde, G7 e outros que o Brasil não tem vaca louca e que, inclusive, foi reconhecido mundialmente região livre de aftosa.
E isso precisa ser feito logo, antes que outros países, notadamente europeus e árabes, nossos tradicionais e firmes compradores, sejam influenciados pela decisão do Nafta, e deixem igualmente de comprar a nossa carne, o que aí, sim, seria uma catástrofe para a pecuária nacional e um desastre para a economia brasileira. O que seria uma pena, uma vez que produzimos carne de qualidade e excelente sabor, e a preços competitivos no mundo inteiro.
O mercado do boi está estupefato. A pecuária levou uma bordoada tamanha que quase foi à lona. O pecuarista está aturdido, não sabe se foi coice de mula ou castigo de Deus, como diria o pugilista Maguila. Os reflexos vão também para os frigoríficos e a indústria da carne. A verdade é que, enquanto não reagirmos e não obtivermos a revogação da medida, a compra e venda de boi fica em banho-maria, com o mercado devagar e quase parando, com milhões de prejuízo à economia brasileira, ao mesmo tempo em que o Canadá e seus parceiros deixam de saborear a gostosa carne brasileira, produzida no sadio pasto verde.
- OSWALDO TREVISAN é professor de Economia em Cornélio Procópio, ex-prefeito e ex-deputado federal





