O deputado federal do Paraná pastor Oliveira, até há pouco vereador em Curitiba, tem um projeto já tramitando na Câmara restringindo o tráfego de veículos de carga pesada. Em todo o País, quer o deputado que seja proibido esse transporte tarde da noite e pela madrugada, permitindo-o tão-somente das cinco horas da manhã às dez da noite.
Argumenta o representante do Paraná que isso fará diminuir em muito os acidentes, poupando-se vidas e aliviando a atividade insana dos motoristas desse tipo de transporte pesado. O pastor Oliveira condena as estradas brasileiras que não dão segurança, condena o abuso aos quais os motoristas estão submetidos, rodando muito mais do que o suportável, usando o que eles chamam de ‘‘arrebite’’ para manterem-se acordados, o que nem sempre evita que durmam na direção e aí as tragédias mais sérias nas rodovias do país.
A intenção do parlamentar do nosso Estado é louvável e tem a solidariedade de muitos caminhoneiros. Não é, entretanto, há de permitir-nos o deputado Oliveira, a solução para os problemas do transporte, nem dos transportadores, sejam empresas, sejam condutores de carga. Não sejamos utópicos, nem otimistas ao extremo. Mas antes de deixarmos nossas estradas desertas para um ou outro veículo leve, talvez praticando só o turismo, se torna necessário que seja o problema visto sob a ótica global. O país não pode parar, sequer as horas previstas no projeto do parlamentar. Os entendidos dizem que viajar à noite é mais tranquilo, mais arejado, poupam-se principalmente os pneus, as estradas estão menos frequentadas.
O abuso existe, precisa-se encontrar modos de se evitar as ocorrências que enlutam os lares e que nos abalam com os relatos e as imagens impressionantes que as TVs nos colocam diante dos olhos, no almoço ou no jantar.
Não temos, sabe o parlamentar proponente, condições de transportar a carga por ferrovias. Durante anos, mesmo advertidos por técnicos competentes (lembremo-nos do professor e general Luiz Carlos Tourinho), observando o transporte em outros países, nossos administradores, também os legisladores, permitiram que se fizesse das nossas estradas o caminho do leva-e-traz da produção. Para ficarmos no Paraná, estamos já por ver o extraordinário movimento da soja e outros cereais em direção ao Porto de Paranaguá, com as filas enormes próximas ao nosso atracadouro, o que virou pauta permanente das nossas emissoras de televisão.
Fiquemos, ainda, no óbvio. Com cerca de 25% da produção brasileira, não tem o Paraná condições de evitar que sejam usadas suas estradas à noite ou pela madrugada.
O deputado Oliveira, demonstrando toda essa sua preocupação, se vier a se convencer que o seu projeto será inviável sob o ponto de vista econômico, poderá, isto sim, perfilar-se e até comandar uma campanha que leve o governo central, com a participação dos Estados e municípios, da iniciativa privada, enfim, de todos, a proporcionar melhores condições para o transporte de modo geral, já que as ocorrências atingem a todos, veículos leves, transporte coletivo, turismo e tudo o mais, claro, principalmente a carga pesada que cruza nossas estradas e que leva perecíveis e não-perecíveis num deslocamento natural incessante e economicamente ativo.

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