A caótica política brasileira
Donizeth Santos
Caótica. Não encontro outro adjetivo mais apropriado para caracterizar a situação política brasileira atual. O termo vem de caos (do grego Kháos), que em uma de suas acepções significa "total confusão ou desordem."
A presidente Dilma Rousseff se reelegeu negando problemas na economia e pregando a continuidade das políticas sociais de distribuição de renda. Depois de reeleita, o discurso mudou: a direção da economia foi mudada radicalmente sem aviso prévio, o que desencadeou críticas por parte de aliados e elogios dos adversários.
Muitos setores do PT, dos sindicatos e movimentos sociais, aliados do partido, ainda não engoliram a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e muito menos o ajuste fiscal defendido pelo Planalto, pelo fato de entenderem que o ajuste, além de trazer recessão, vai penalizar a população mais carente pelo corte significativo nos programas sociais, como o seguro desemprego e seguro doença.
Por outro lado, adversários históricos do petismo, como a revista Veja e integrantes dos partidos de oposição, elogiam a política de austeridade do ajuste fiscal proposta por Joaquim Levy porque estão dentro das diretrizes econômicas neoliberais. Mas os deputados e senadores que elogiam, nos bastidores, a nova política econômica do ministro Levy, no Congresso votam contra o ajuste para complicar a vida do governo. Ou seja, votam contra as suas convicções pelo fato serem oposição. Com os petistas ocorre o contrário: discordam do ajuste, mas votam a favor por serem governo e assim, também, traem suas próprias convicções.
Mas não é só. Hoje a principal oposição ao governo e ao PT não vem do PSDB e do DEM, seus adversários ideológicos, e sim do principal aliado, o PMDB, o partido que é dono da vice-presidência e de vários ministérios. Mas também é dono da principal voz de oposição: a do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara.
Cunha é investigado pela Operação Lava Jato, e sua posição, depois dos documentos enviados pela justiça suíça à justiça brasileira, comprovando que ele tinha contas bancárias naquele país, praticamente se tornou insustentável no cargo. Até para seus aliados, a sua saída da presidência da Câmara é uma questão de tempo. Mas enquanto estiver no cargo, cabe a ele aceitar ou não a abertura de processo de impeachment contra Dilma, acusada de se valer de manobras fiscais no mandato anterior para conseguir fechar as contas do governo com superavit. Há diversos pedidos de impeachment protocolados na Câmara, um deles protocolado pelo jurista Hélio Bicudo, fundador do PT.
Desse modo, temos, por um lado, uma presidente fragilizada, sem apoio popular e com pouco apoio político, criticada tanto por aliados quanto por adversários, fazendo o possível para evitar a cassação e ter uma sobrevida; e por outro, o seu principal opositor, aquele que pode dar início ao seu processo de impeachment, também na corda bamba: acusado de corrupção ativa e mal se sustentando no cargo. Nos últimos dias temos visto um festival de farpas trocadas entre os dois, acusando-se mutuamente de escândalos de corrupção.
O triste de tudo isso é que são representantes máximos de dois dos nossos Três Poderes. Um acusado de corrupção, e outro, de incompetência administrativa e má-fé.
E em meio a tudo isso, temos uma crise econômica não vista desde o início dos anos 90. Inflação em alta, aumentos sucessivos de impostos e tarifas, aumento do desemprego, crescimento pífio da economia, e no horizonte nenhuma luz no final do túnel porque a nossa crise política não permite que se pense numa reestruturação da economia em que se leve em conta os interesses da nação e dos seus cidadãos.
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