A cantilena da violência
Vivemos num mundo violento, e refletindo sobre essa violência, percebe-se que, de fato - e se comparado com nossa infância - a violência vem aumentando, ou pelo menos é essa a sensação que temos: a cada dia mais violência. Por outro lado, estudos dizem que vivemos numa época com pessoas mais inteligentes e, consequentemente, menos violenta. Proporcionalmente, isso deve ser verdade, mas não é isso que sentimos, já que nossa percepção de violência é baseada em um espaço de tempo bem curto, que se limita entre a época dos nossos pais - sobre o que falavam para nós - até o momento atual que estamos vivendo.
Uma realidade que não muda é o fato de que a violência tem sua raiz muito bem definida, se olharmos para as escrituras. Reflitamos, primeiramente sobre uma coisa: nos últimos tempos surgiram especialistas dizendo que a violência é decorrente de fatores sociais, como a pobreza, por exemplo - imagino que esse argumento é raso demais para ser usado como ponto de partida de uma possível solução do problema. A menos que alguém seja preso por estar roubando alimento para comer, a violência não tem nada a ver com ser pobre.
A violência, no sentido do sujeito mau que rouba, que assalta, que trafica, que sequestra, que pratica a corrupção, está ligado ao fator poder - ter poder; ter dinheiro; ter algo; ser poderoso; ficar poderoso; ser o mais forte do seu meio. Agora, distingamos da violência de ordem moral e comportamental; aquela que não tem ligação com dinheiro, e por isso tem raízes em outras áreas que não a do argumento desse texto. Exclui-se também a violência praticada em decorrência de fatores psíquicos - e ainda, a violência gerada em decorrência da vulnerabilidade de pessoas em local de risco - que nesse caso, a ocorrência é maior onde existe pobreza.
Sobre a violência de que falamos (no sentido dos males da sociedade), vemos que sua origem, segundo Timóteo, está no fato de que: "A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro". Não é o dinheiro o mal em si, mas o amor, e esse amor é no sentido do apego exagerado, da cobiça, como se fosse a solução de tudo e para tudo. Por haver esse apego, essa obsessão, [...] "alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições".
Raramente ouço alguém citar a Bíblia quando se fala dos males da violência, e quando alguém ousa fazer isso em alguma área, logo é escrachado pela opinião pública. Alegam que o problema da violência está na pobreza; na falta de educação; na falta de hospitais, etc. Você já viu alguém sequestrar um médico para que ele o opere, por não ter como pagar pela operação? Já viu alguém sequestrar o dono de um supermercado para que lhe dê alimentos? É claro que a consequência da falta de dinheiro, gerada pela desigualdade social, gera um descompasso social quase que irreparável , mas daí dizer que a pobreza faz a pessoa virar bandido é rebaixar o ser humano ao nível da lama.
É Deus que realiza em nós o querer e o executar -, mas quando praticamos algo de ruim, é porque nos desligamos da vontade de Deus, e aqui não falo do Deus de uma religião, como se conhece - falo da palavra de Deus. Muitas pessoas seguem autores famosos, mas quando se fala do autor da Bíblia, aí se critica!
É claro que uma coisa leva a outra, mas enquanto a raiz do problema não for resolvida, se enxugará gelo o tempo todo, e a cantilena do problema da violência terá capítulos e mais capítulos de sugestões inadequadas, com métodos que não atingirão a raiz do mal, e que nunca deram certo.
Há de se perguntar então, se a paciência de Deus um dia acabar, veremos se cumprir o que diz o Salmo de imprecação (57): "Desde o seio materno extraviaram os ímpios, [...] E os homens dirão: sim, existe recompensa para o justo; há um Deus para julgar a terra".
MARCOS ANTONIO DE ARRUDA é estudante de Direito em Bandeirantes
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