A campanha de 2002
Fernando José Dias da Silva
Depois do carnaval a campanha presidencial começa a deslanchar. A campanha de 2002, para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Política é assim mesmo. O quadro para a eleição de outubro já está fechado, ou praticamente fechado pelo menos para os partidos que apóiam o governo. Por isso já está na hora de pensar no futuro. No que acontecerá após os oito anos de FHC.
Tudo vai depender exatamente de como forem esses últimos quatro anos. Se forem bons, melhor para os tucanos. Mas de toda forma os grandes aliados em toda essa brincadeira devem estar separados no próximo milênio. O PFL e o PSDB vão tomar caminhos diferentes. O PSDB querendo mais um mandato para si, afinal o projeto tucano é de ficar 20 anos no poder. E ainda faltarão doze. O PFL já se cansou de apoiar os que estão no poder. Agora quer tomar conta dele, com o presidente da República saído de seus quadros.
A capacidade de antecipação dos políticos é impressionante. Já existem até os candidatos sendo preparados para entrarem nesse jogo. Do lado tucano Mário Covas e Tasso Jereissati e do lado do PFL, o delfim, o filho de Antonio Carlos Magalhães, Luís Eduardo.
Por isso é interessante acompanhar a campanha de 98 a partir dos estados e não de Brasília. A situação mais interessante, por enquanto, está em São Paulo, onde pode acontecer a prévia de 2002: a disputa entre Mário Covas e Paulo Maluf. Ou melhor, esse embate tende a se tornar uma semifinal. Quem perder não passa para a final de 2002. E por isso a coisa promete. A expectativa é até para saber se eles aceitam entrar no ringue agora ou adiam a luta para daqui a quatro anos.
Mário Covas só sai se as pesquisas indicarem que ele tem chance. Maluf agora é o favorito e por isso mesmo querem lhe puxar o tapete. Tanto os tucanos como o PFL sabem que o ex-prefeito de São Paulo inicia a sua campanha para a presidência da República no dia seguinte ao da sua posse no governo. Coisa que não interessa nem ao PFL e nem ao PSDB.
Segundo a avaliação do Palácio do Planalto, o único indicado para barrar as pretensões malufistas é Mário Covas. Então a prioridade agora é convencê-lo a mudar de opinião e sair para a luta, apesar de Covas já ter se declarado contra a reeleição.
Mas não é só em São Paulo que a situação ferve. Na Bahia as apostas são para saber se Luis Eduardo Magalhães sai candidato a governador, senador, ou continua deputado federal. O pai quer que ele seja governador, mas Luis Eduardo acha que pode ficar mais visível nacionalmente se continuar no Congresso.
Não se deve descuidar também de Minas Gerais. Onde está no governo o tucano com as maiores chances de se reeleger depois do Ceará. Aliás, no Ceará Tasso Jereissati não queria um segundo mandato, também preferia ficar solto para atuar no plano convencional, mas está sendo convocado por Fernando Henrique a partir para o sacrifício novamente para evitar um crescimento do nome de Ciro Gomes.
Em toda essa arrumação, nos cálculos que são feitos, ninguém coloca como dado a oposição. Pode ser que ela não seja feliz agora, mas terá quatro anos para se recuperar e aí a situação pode mudar de figura. Além disso, nessas avaliações, não se pode descuidar da situação econômica e financeira do país, até porque toda a popularidade de Fernando Henrique está calcada na estabilidade do Plano Real.
Outro componente que pode mudar tudo é o parlamentarismo. Se a idéia colar os políticos vão precisar pensar rápido em outro tipo de alianças ou mesmo de candidatos.
Finalmente, pode não acontecer nada do que está previsto. O que é bem comum num país com instituições políticas tão ‘‘estáveis’’ como o nosso.
- FERNANDO JOSÉ DIAS DA SILVA é jornalista em São Paulo

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