Superfaturamento de obras, de serviços e fornecimentos – este é o ponto negro das administrações públicas no Brasil, e tem acontecido também nos demais escalões dos poderes da República. A apregoada transparência acontece naquilo que já é por natureza visível, mas quando há dinheiro envolvido cortinas se fecham e muita coisa fica obscurecida.
  As câmaras de vereadores renovaram muitos dos seus membros e algumas tiveram reformas quase totais. Este também tem sido um reduto de corrupção – e tome-se como referência um exemplo doméstico: a atual Câmara de Londrina. E não apenas a dos escândalos recentes mas também as imediatamente anteriores e do passado mais remoto – sendo sempre necessário ressalvar as exceções, incluindo os casos de vereadores que se destacaram e viriam a assumir, depois, posições políticas mais relevantes.
  No caso específico de Londrina – que ainda surfa sobre correntes turbulentas, porque há uma decisão da Justiça Eleitoral ainda não definida com relação ao prefeito ora eleito – é justamente da nova Câmara Municipal (bastante renovada) que se espera vigilância sobre os atos e gastos do Executivo. E também vigiar-se, começando por diminuir gastos e não pensar em adornos mirabolantes, como por exemplo a instalação de uma TV da Casa, que chegou a empolgar alguns vereadores. Como as batatas pobres que fermentavam no ambiente foram retiradas – pela Justiça e pelo eleitor – será preciso que os novos vereadores se conscientizem de que, aquele estado de coisas, nunca mais! Desde fiscalizadora do Executivo a fiscal de si mesma, uma de suas funções relevantes será a atenção constante sobre a boa aplicação do orçamento, policiando para que não haja sobrepreço de obras e outros gastos, e a elaboração de boas leis e reformulação das inadequadas. Com um corpo legislativo correto, com elevado espírito público e vontade de trabalhar, também eventuais passos tortos do prefeito e de seus auxiliares diretos se aprumam. Uma câmara de vereadores não pode ser apenas observadora e mera cumpridora de regimentos, mas assumir posições de vanguarda de ordem político-administrativa, quando a ocasião exigir.
  Quanto ao prefeito eleito Antonio Belinati – que prometeu em entrevista de ontem a este Jornal fazer ‘‘a melhor administração da história’’ – ele sabe que tem créditos mas também obrigações com Londrina. Figuras rapineiras que rondavam sua administração passada precisam ser mantidas longe.

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