As empresas brasileiras e a economia do País vivem um momento único em sua história, que combina ao mesmo tempo um grande desafio e enormes oportunidades. A globalização é um processo sem volta e, a cada dia, mostra um mundo mais parecido, onde a concorrência se universaliza.
Para as empresas, isso significa que o concorrente não é mais o vizinho do outro lado da rua. Aos poucos, empresários de todo o mundo passam a concentrar no Brasil suas atenções e investimentos, como país que tem chamado a atenção, principalmente depois do Plano Real, que estabilizou a economia.
Se por um lado os dados são animadores, por outro obrigam os empresários a - não se descuidando do dia-a-dia de seu negócio - ir atrás de oportunidades, recursos e novas tecnologias. Estruturas que têm por finalidade fazer a aproximação de empresas e desenvolvimento de projetos institucionais, como o Programa Paraná-Europa, ganham importância como facilitadores desse processo de integração.
Esse pode não ser um caminho fácil, mas ele é necessário e, em muitos casos, poderá ser o único capaz de evitar problemas maiores no médio ou longo prazo. É preciso buscar a interação com grupos - pequenos ou grandes - de outras culturas empresariais, inseridas em realidades diferentes ou mais evoluídas que a nossa. Só assim pode-se abreviar o percurso até o domínio da tecnologia, hoje vital dentro do mercado.
Uma das melhores maneiras de se fazer isso é tendo a experiência de conhecer pessoalmente essas realidades. Essa foi uma das principais constatações do grupo de empresários e autoridades de Londrina que esteve recentemente na Europa buscando oportunidades para a cidade.
Sabemos que grande parte das joint ventures em andamento hoje no nosso país se originou de missões empresariais ou visitas a feiras e congressos internacionais. Esta prática já é comum nos países desenvolvidos e passa a se tornar uma marca das empresas brasileiras que estão prosperando.
Nesse aspecto, os empresários paranaenses têm o privilégio de contar com estruturas montadas e em plena operação, comandadas por pessoas com estreita ligação com o Estado.
Na França, a paranaense Maria Eliza Paciornik é a representante do Brasil na Onudi (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial). Com grande experiência no processo de desenvolvimento do Paraná, ela ‘‘vende’’ as nossas potencialidades e consegue prospectar excelentes oportunidades de negócios para nossas empresas.
Na Itália, o Programa Paraná-Europa possui uma rede de escritórios e contatos permanentes, que promovem e facilitam a aproximação entre paranaenses e italianos. Nascido na Itália, o presidente do programa, Remo Veronesi, pioneiro da construção civil do Norte do Paraná, é o mais londrinense dos italianos. Com grande respeitabilidade na Itália, é um verdadeiro ‘‘abridor de portas’’, fazendo com que, após anos de trabalho, o modelo da pequena e média indústria italiana - reconhecidamente um excelente caminho para o desenvolvimento industrial e econômico - seja corretamente assimilado e esteja cada dia mais próximo de Londrina e do Paraná.
A adoção desse modelo e a integração econômica como um todo se dão através de vários projetos institucionais, entre eles o do artesanato alimentar, que originou toda a base de riqueza da região de Modena, cidade-irmã de Londrina. O presidente da Codel, Alex Canziani, já acertou a vinda de técnicos italianos a Londrina para a montar a fase operacional do projeto, que prevê a agregação de valor aos produtos da terra.
A presença do presidente da Sercomtel S/A, Rubens Pavan, junto com os empresários londrinenses nos encontros com grupos europeus viabilizou várias oportunidades de negócios. A Sercomtel foi reconhecida pela excelência de seus serviços e serviu como referência positiva da nossa cidade, ampliando as perspectivas dos empresários.
Além disso, a Sercomtel traz na bagagem a decisão estratégica de construir o Teleporto na Cidade Industrial de Londrina. A acertada opção pelo local foi feita utilizando o modelo de Padova, importante cidade do Norte da Itália visitada pela missão.
A partir de agora, a ACIL e a Codel vão trabalhar em conjunto para montar missões empresariais por setores afins, oferecendo ao empresariado local acesso a novas tecnologias e oportunidades de negócio.
A estrutura (na Europa), a necessidade e a vontade já existem. O mercado atual exige ousadia, desprendimento e humildade para reconhecer que precisamos aprender sempre. Só com essa postura empresarial conseguiremos ter sucesso no ambiente competitivo que predomina no cenário mundial.
- ABÍLIO MEDEIROS JÚNIOR é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).

mockup