Como a busca da China pela autossuficiência alimentar vai impactar o agronegócio paranaense é o mote de uma reportagem que a Folha de Londrina publica neste fim de semana (23 e 24) no caderno Rural.

O Partido Comunista da China está trabalhando para que o país que mais importa alimentos no mundo seja autossuficiente no consumo de grãos e carnes na próxima década.

A agremiação política que controla os planos e as metas do país que mais importa alimentos no mundo já está trabalhando duro para a busca esse resultado.

O tema se tornou prioridade para os chineses principalmente por conta dos sinais de instabilidade política e econômica que vêm sacudindo o mundo nos últimos anos, como guerras, bloqueios e insubordinações em acordos e tratados. O desejo de aumentar a produção de alimento e buscar independência energética está expresso no 15º Plano Quinquenal, documento estratégico aprovado pelo Comitê Central em outubro, e aprovado pela Assembleia Nacional Popular sob a denominação de Lei de Planejamento do Desenvolvimento Nacional em março.

A pergunta que causa apreensão no empresariado é: quanto este esforço de autossuficiência pode abalar a relação que mudou o patamar do agronegócio brasileiro ao longo do século 21?

Estados agrícolas exportadores como, por exemplo, o Mato Grosso, que fatura alto com a venda de soja (70% da produção) e de carne bovina (50% da produção), são os mais ameaçados pela disposição chinesa de produzir o máximo possível de alimentos dentro das suas fronteiras.

O Paraná deu um salto nas exportações agropecuárias para a China no decênio 2016-2025, saindo de US$ 2,5 bilhões para US$ 5,2 bilhões, um incremento de mais de 100%. O número impressiona, mas é aquém do resultado nacional, que passou dos 200% no período, com o montante de US$ 20 bilhões indo para mais de US$ 60 bilhões neste intervalo.

Entre janeiro e março deste ano, a China importou US$ 176 milhões em carne de frango produzida no Paraná e figura no topo entre os importadores. O exemplo do protagonismo deste setor na economia do Estado é a transformação da estrutura portuária para dar conta desta grande demanda. Os portos paranaenses foram responsáveis pela movimentação de 47,6% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil em janeiro de 2026, de acordo com informações da Agência Estadual de Notícias, tornando-se o maior corredor de exportação do produto no mundo.

Em entrevista à FOLHA, o professor do Centro de Ciências Agrárias da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Eugenio Stefanelo ressalta que não é a melhor opção ficar esperando e aguardando se isso realmente vai acontecer. Principalmente porque os chineses são conhecidos pela perseverança.

A lição de casa que os brasileiros não podem mais adiar é buscar novos mercados. O professor da UFPR sugeriu ficar de olho em países populosos com renda ascendente na Ásia, Oriente Médio e África. Outras fontes ouvidas pela FOLHA recomendam aos paranaenses agregar valor aos produtos.

O avanço da política chinesa de autossuficiência alimentar não deve ser compreendido como uma ameaça imediata, mas como um sinal claro de que o agronegócio brasileiro precisará se reinventar para manter sua competitividade global.

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