A brutal defasagem do salário mínimo
Agora que a inflação está mais ou menos controlada, o salário mínimo deveria ter um sistema regulador, com um valor sempre igual de poder aquisitivo, e isso significa que poderia ter oscilações periódicas. O referencial poderia ser, por exemplo, a cesta básica, estabelecendo-se um número delas equivalente ao salário original (que quando criado pelo presidente Getúlio Vargas, em 1940, era correspondente a R$ 883,92) ou ao seu pico histórico, que foi de R$ 1.106,05, em 1957. Se estes tetos já foram alcançados um dia e as empresas públicas e privadas não quebraram por isso, então podem ser novamente adotados. Naturalmente que o Governo deve contribuir com a sua parte, que é baixar os encargos trabalhistas sobre a folha de pagamento dos empregados e que correspondem ao dobro dos ganhos do empregado. No Brasil, 22 milhões de trabalhadores ganham 1 salário mínimo, 20 milhões ganham de 1 a até 2, e 26 milhões acima de 2 mínimos. Portanto, 42 milhões ainda dependem do minguado ganho de, no máximo, dois salários mínimos. Quatro anos após ser implantado o salário caiu um pouco, mas voltou ao teto anterior alguns anos depois e subiu para o pico máximo dos R$ 1.106,05. Em 1960 sofreu nova queda e chegou a R$ 834,04, e nos anos 90 afundou-se vertiginosamente numa média de R$ 260, e assim permaneceu até 2004 ou seja, apenas 30% do valor dos seus primeiros quatro anos de existência. Houve uma perda real de 70% e isto empobreceu a classe trabalhadora. Outras contas que tinham o salário mínimo como referência caíram junto. O resultado da queda salarial viria a robustecer a pobreza, com a geração dos 40 milhões de patrícios que hoje vivem em estado de indigência, segundo números do IBGE. Veja-se a importância de uma elevação, mesmo que pequena: estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos mostra que R$ 13 bilhões serão injetados na economia só com o aumento de R$ 260 para R$ 300 previsto para 1º de maio. É dinheiro novo que entrará no meio circulante e que, várias vezes multiplicado quando ingressa nessa roda, ativa a progressão da riqueza. Imagine-se como seria com um salário mínimo de R$ 1.106,05, como já foi! Isto não é nada astronômico. Quem hoje ganha de 1 a 2 mínimos é um excluído, porque não vive mais apenas sobrevive, e o destino do homem não é existir tão-somente em estado de sobrevivência. Já não se trata de elevar salário mínimo e sim de restabelecê-lo ao padrão original, porque este sim é um direito adquirido do trabalhador.





