Como sabemos, a partir da dédada de 1980, a Inglaterra, com Margaret Tatcher, e os EUA, com Ronald Reagan, encarregaram-se de iniciar a implantação do atual modelo neoliberal do capitalismo, que se expandiu pelo mundo. Também não foi necessário mais do que duas décadas para se materializar o imenso fracasso do modelo. As evidências são notórias e inegáveis, dispensando quaisquer demonstrações.
Agora, George W. Bush parece se encaminhar para ser o estopim final da bomba de retardo que poderá explodir ou implodir o sistema, a partir do seu próprio e imenso ''Império da Águia'', tão cantado como indestrutível e eterno, diferentemente dos demais impérios em toda a História da humanidade.
Um restrito grupo de analistas, tidos como paranóicos - em cuja companhia tenho a honra de modestamente estar -, desde algum tempo vêm levantando dúvidas sobre a fortaleza da economia norte-americana. De resto, em menor escala de importância, há dúvidas também sobre os demais países ditos centrais do capitalismo neoliberal.
Até recentes horas essa era uma visão restrita apenas aos radicais e aos malucos, mas agora um número crescente de pessoas começa a saber que a economia norte-americana, centro e sustentáculo da economia mundial, escondia fragilidades muito bem guardadas e/ou maquiadas para consumo dos deslumbrados bobocas periféricos. Em outras palavras, a cada dia mais pessoas passam a ter ''olhos de ver e ouvidos de ouvir'', uma das posturas mais fundamentais para qualquer análise, em especial a política, como já ensinava o padre Antonio Vieira, há quase quatro séculos.
Desde a segunda metade da década passada, venho trabalhando a hipótese, absurda para a maioria das pessoas, de que o modelo capitalista neoliberal está na trajetória de uma possível implosão, tendo, inclusive, tratado do tema no meu livro ''E se o capitalismo acabasse?'', publicado em janeiro/2001. É evidente que o livro não virou best seller. Ainda. Mas quase tudo é possível nesse mundo louco!
Um dos cenários ali abordados trata de uma situação cada vez mais provável, sintetizada no dito popular ''alguém chuta o pau da barraca e voam cacos para todos os lados''. O sentido é evidentemente figurado, para significar a virtualidade e a fragilidade de um sistema sustentado por um cassino financeiro puramente especulativo. No último 11 de setembro, esse cenário hipotético quase virou realidade, porém em um outro sentido e de uma forma brutal, que jamais poderíamos imaginar.
Contudo, aquele trágico episódio e seus desdobramentos subsequentes, mais trágicos ainda, serviram para evidenciar ao mundo, apesar das maquiagens midiáticas, a existência de condições reais para uma ''revoada de cacos'' do sistema financeiro, que é frágil, falso, quase totalmente virtual, mas incontrolável. Essas evidências continuam vindo à tona cada vez mais fortes e assustadoras, como as pontas do iceberg que afundou o Titanic. Já não é tão fácil ocultar os processos e os mecanismos, utilizados pela ganância insaciável, a abocanhar resultados financeiros e econômicos cada vez maiores, sem quaisquer limites ou controles.
O senhor Bush está no epicentro desse torvelinho, comprometido até os ossos na posição de artífice privilegiado da montagem do caos. A sua desastrada e desastrosa biografia econômica, financeira e política e as barbaridades contábeis perpetradas por gigantes multinacionais dos mais variados setores são pistas seguras, já suficientes, para inferir que o iceberg é imenso. Por outro lado, a bomba que o povo americano armou para si e para o mundo ao eleger - elegeu, mesmo? - um presidente com tais qualificações e desqualificações, está em plena ação de disparo. As dimensões do desastre são imprevisíveis e inavaliáveis. Há, contudo, uma cruel e assustadora certeza: estamos todos na zona de impacto! ''Ora, direis, ouvir estrelas...''. Talvez sim, talvez não, mas ''tanto vai o pote à fonte...''
O que será possível fazer? No caso dos EUA, o povo norte-americano deveria se conscientizar do perigo e colocar o Bush e sua trupe para fora, como fizeram com o Nixon. No caso do Brasil, precisamente, nada há a fazer no curto prazo porque esses ''brazileiros'' que dirigem o nosso País são apenas subservientes executores da política imperial e continuarão exatamente assim, subalternos e subservientes. Até que sejam alijados do poder e condenados por crime de lesa-pátria, tantos são os desmandos cometidos.
Mais adiante, depois de outubro próximo, algo poderá mudar ou não. Há, porém, outra certeza: o Brasil tem imensas condições para escapar ou, mesmo, sobreviver a qualquer catástrofe econômica mundial. É só querer. Será que vamos querer?
LUIZ CARLOS CORREA SOARES é engenheiro eletricista, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) e da Federação de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

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