Se a 5 Cúpula das Américas não foi um êxito pleno, também não foi um fracasso. Considerando os anos de isolamento dos Estados Unidos com os governantes latino-americanos, a presença de Barack Obama e suas posições assumidas durante esse encontro em Trinidad e Tobago representaram uma passo avançado. O embargo dos EUA a Cuba, que dura 47 anos, não foi um ponto central da Cúpula mas Obama manifesta-se disposto a iniciar negociações diplomáticas com a ilha. Este é um delicado caso que não se resolve repentinamente e reclama também movimentos de Havana nesse sentido.
Questões da América Latina não dependem apenas da política da Casa Branca mas também de cada governante e de cada nação, na busca de seu desenvolvimento econômico e social e da manutenção de soberanias. As decisões de Obama não passam ao largo da opinião pública de seu país, mas ao menos há um agente com boa vontade em Washington. Não há dúvida de que essa reunião de todos os 34 mandantes das duas Américas acena para tempos de menos tensão continental.
O presidente americano foi indiscutivelmente a figura central do evento, pela óbvia liderança dos Estados Unidos e até porque há um clima de boa vontade regional com ele neste início de seu governo. Ele propõe ''um olhar para o futuro'', naturalmente a partir das políticas que forem adotadas no presente e como proposta de esquecer o passado, não muito lisonjeiro para os EUA na relação com os povos do sul. Hugo Chávez - o mais renitente inimigo dos americanos - e Barack Obama apertaram-se as mãos e ao menos o comandante venezuelano se conteve, sem ninguém dizer-lhe ''por que não te calas''. O presidente Obama disse ''coisas interessantes e tomei nota, e agora é ver para crer'', afirmou Chávez - que no momento enfrenta a formação de um bloco de opositores em seu país contra suas ambições e atitudes ditatoriais.
Antes de chegar para a reunião, Obama fez elogio ao Brasil durante entrevista à TV, na passagem pelo México. ''Os tempos mudaram e agora o Brasil é uma potência econômica e peça-chave no cenário internacional'', disse. E de novo mencionou o presidente Lula como um desejável parceiro. Ignorar o Brasil no contexto mundial seria uma imprudência de qualquer governante. A Cúpula que ora se encerra, se não gerou acordos imediatos, selou boas intenções implícitas de união continental e semeou esperanças.
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