São sempre entusiasmadoras as notícias de que há setores em crescimento e melhoria de padrões, no Brasil, e no caso do Paraná a boa informação é que o Estado alcançou o segundo lugar no ranking nacional da produção de alimentos de qualidade, só perdendo para o Rio Grande do Sul. Esse indicador é do Programa de Alimentos Seguros, que destaca as empresas brasileiras que receberam o denominado Atestado de Conformidade em APPCC, que quer dizer Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. Esse programa de avaliação foi criado em 2002 e é coordenado pela Confederação Nacional da Indústria, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio, Ministérios da Saúde e da Agricultura, Embrapa, Senai e Senar. No Paraná são 4.838 indústrias de alimentos e bebidas, que respondem por 34,5% do faturamento da indústria de transformação do Estado e empregam 190 mil trabalhadores. Esse aprimoramento de produtos resulta das exigências do consumidor, tanto o nacional quanto o externo, mas é este último que impulsiona a política da melhoria de qualidade porque não faz concessões ante o vasto leque que a concorrência disponibiliza. O Brasil vai despertando para uma nova realidade, ditada especialmente pelo consumidor dos países importadores. O mercado interno também ficou mais exigente, depois que o presidente Fernando Collor e mérito lhe seja dado começou, pessoalmente, a fazer críticas à péssima qualidade de alguns produtos brasileiros e expandiu a abertura para as importações. A partir daí o consumidor interno passou a conhecer produtos de mais qualidade e recusou os nacionais que eram inferiores, forçando as indústrias domésticas a reformular seus processos. Depois desse salto de qualidade não houve mais condições para um eventual retrocesso. O que agora acontece no Paraná, e de resto em todo o complexo industrial brasileiro, é uma consequência daqueles alertas e da presença de produtos similares estrangeiros que passaram a frequentar as gôndolas dos mercados e das lojas. Recorda-se, apenas en passant, que quando Collor qualificou os automóveis brasileiros de carroças, mexeu com os brios da indústria automobilística e despertou o usuário. É verdade que náão apenas pelo deboche presidencial e sim também por naturais avanços da tecnologia, mas é certo que o produto nacional, no geral, melhorou os padrões de qualidade com a ''incômoda'' presença dos importados.

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