A boa presença do interior no futebol
Quando a final do Campeonato Paranaense de futebol ocorre entre times de Curitiba - o que tem sido frequente - a competição vai tirando o encantamento das agremiações e das torcidas do interior. Então a disputa, embora estadual, converte os jogos dos clubes sediados fora da Capital numa espécie de preliminar para a festa decisória entre os três grandes da metrópole curitibana. O interior já fez campeões estaduais mas isto tem sido coisa rara.
Este ano foi diferente porque domingo o Paranavaí classificou-se para a final e irá disputar com o Paraná o título de campeão. Sem nome pomposo e nenhum símbolo devorador, o denominado ''Vermelhinho do Fim da Linha'' demonstra que é possível. Ao empatar em 1 a 1 com o Coritiba, jogando na Capital, o Paranavaí mostrou que não é portador da ''síndrome do Barigui'', um mal que ataca certos times do interior quando, na estrada de Curitiba, transpõem o parque que tem esse nome. Porque o comum tem sido perder na Capital, e a soma dessas derrotas os desclassifica.
O Paranavaí pode ser, ou não, o grande vencedor na final, mas importa que tenha chegado aonde chegou e isso valoriza o futebol do interior, que, se tem menos craques - até pelo elevado custo de jogadores mais qualificados, que são atraídos para os times maiores - não está proibido de superar-se e ambicionar títulos. Conforme a crônica esportiva publica, o Paranavaí - que havia superado o Coritiba por 3 a 2 jogando em casa - conseguiu colocar o time da capital sob nervosismo, no domingo. Não é comum isto acontecer, porque quando jogam em seus próprios domínios, contra o interior, os três grandes da metrópole jogam confiantes e tranquilos e raramente perdem.
É certo que, embora as eternas críticas contra os árbitros, acusados de favorecer os maiores, sempre houve uma melhor qualificação desses esquadrões tradicionais, e não por acaso eles disputam os campeonatos nacionais e estão com frequência também nos jogos da Taça Libertadores da América. Essas condições não são aleatórias mas resultado de empenho e investimento e de condições sempre mais favoráveis proporcionadas pelas capitais, onde também estão sediadas as federações pertinentes.
Todos esses fatores contam, mas não invalidam as ambições e possibilidades idênticas dos times das outras cidades do Estado. O Paranavaí contou apenas com a própria convicção e com a garra de seus jogadores para chegar à disputa das duas partidas decisivas. Quando eventos como este ocorrem, quebra-se a monotonia e a mesmice dos finais de campeonato e o futebol paranaense se engrandece.





