No momento em que este Jornal faz uma série de reportagens sobre educação financeira e o uso consciente do dinheiro, é oportuno recomendar que outra forma de o consumidor levar vantagem é pesquisar preços. Ontem, em publicação deste Jornal, o pesquisador Flávio Oliveira dos Santos - que coordena o levantamento mensal do kit básico de alimentos feito pelos alunos da Faculdade Pitágoras - demonstrou haver diferença de preços de até 36,98%. Os itens pesquisados foram os da cesta básica.
Esse estudo atesta que, pelo que se ganha na compra, compensa gastar pernas, passagem de ônibus ou combustível na caminhada para pesquisar preços. Dois exemplos citados é que num supermercado a mesma cesta básica custou R$ 166,50 (para uma pessoa) e R$ 499,50 (para família), e em outro R$ 193,17 e R$ 579,52, respectivamente. Mas a pesquisa mostrou que com uma busca mais paciente os valores mais baixos atrás apontados cairiam ainda mais.
Quem faz compras regulares sabe que é assim com todas as mercadorias, isto incluindo bens de maior valor como imóveis e veículos. As oscilações do comércio mostram que em passado recente um televisor de plasma de 42 polegadas custava em torno de R$ 7 mil, e agora pode ser adquirido (nas promoções) a R$ 1.890. E recorda-se que na época de lançamento, produtos do gênero estavam tabelados em torno de R$ 10 mil. Celulares custavam mil dólares quando começaram a surgir no Brasil, e agora são até dados de graça, porque interessa mais à operadora ter o cliente e ganhar com o consumo pelo uso do telefone do que com a venda do aparelho. No setor do vestuário, produtos de grife, no lançamento, custam o dobro do que é vendido nas liquidações, depois da temporada. Quem pode e quer pagar, paga, mas em tempos de campanha de inteligência nas compras o consumidor está ficando mais atento. O consumo consciente é uma boa política. Dessa forma, o comerciante e o prestador de serviços irão se adaptando aos costumes e à vigilância do consumidor.
Se existem também os casos de cartelismo, que é a prática de fornecedores de um produto aumentarem conjuntamente os preços para cima, sabe-se que os concorrentes pesquisam-se entre si, por via dos olheiros. Mas como nem sempre esse serviço funciona plenamente - porque algumas promoções são momentâneas - a melhor pesquisa é de quem compra. Ninguém perde com esse mecanismo, mas todos ganham, porque com preços justos o comércio vende mais e o consumidor sai mais satisfeito.

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