A boa medida de TSE mostrar os fichas sujas
Todos os meios possíveis precisam ser usados para higienizar os parlamentos brasileiros e os redutos onde operem governantes e instituições públicas em geral. Os caminhos são múltiplos, o primeiro deles a longa jornada para ir formando uma sociedade mais politizada, de cujo meio emergirão os parlamentares e os que irão gerenciar as administrações públicas. Nada existe de mais sábio do que a sentença de que cada povo tem o governo que merece. Por ora, é oportuno dizer, reeditando uma irônica frase semelhante, que a gestão pública é tarefa séria demais para ser confiada a políticos.
A verdade histórica é que, começando no período imperial, a corrupção já campeava por aqui, pela astúcia dos prepostos da Coroa portuguesa. Quando perguntaram ao presidente Vargas o que ele achava dos homens de seu governo, ele respondeu que a metade não era capaz de nada e que a outra metade era capaz de tudo. Vigora neste país uma tradição de desonestidade na vida pública, e a sociedade não fica muito atrás em seus comportamentos, porque tem também fortes componentes de negligência e de baixa cidadania. Pois é ela afinal que, por via da filtragem pouco criteriosa dos partidos políticos e do voto, guinda ao poder os seus representantes.
Ontem leu-se nos jornais a boa informação de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer divulgar publicamente os nomes e os processos criminais a que cada candidato responde. Como não há impedimento legal para isso, a Justiça Eleitoral estará dessa forma contribuindo para a causa da moralidade, ao orientar o eleitor sobre os candidatos com ficha suja. Embora o eleitorado já tenha por inúmeras vezes reconduzido ao poder políticos sabidamente corruptos, a luta não pode parar, até que haja um momento de conscientização.
Mas um expurgo inicial deve acontecer, antes disso, pela ação dos partidos, que estão prestar a homologar as candidaturas para a eleição deste ano. Lamentavelmente, eles têm visado apenas criar o mais volumoso quadro de eleitos, pouco se importando com a qualidade. Espera-se que agora, pela lei da fidelidade - que atribui a posse do mandato ao partido e não mais ao indivíduo - comece a vigorar uma era de mais responsabilidade partidária. Certo é que a campanha de profilaxia não pode parar, e a Justiça Eleitoral é um de seus fortes agentes.
Mas a cruzada será mais longa se for preciso sempre atacar consequências e não eliminando as causas, que têm origem na baixa politização do povo. Se pouco se espera dos adultos, onde males já estão cristalizados, há que também principiar pela educação política de crianças e adolescentes. À parte adulta, mais consciente, é que incumbe essa missão.





