Foi uma importante decisão a do governador Roberto Requião de fracionar ao máximo as licitações, dessa forma evitando a centralização de capitais nos mesmos e tradicionais fornecedores. A ordem foi dada a todas as secretarias do Estado e aos órgãos da administração indireta. No caso de uma obra ou compra vultosas, elas terão de ser divididas em lotes, com a participação também de pequenas e médias empresas. A meta é democratizar serviços e capitais, dando oportunidade a um maior número de empresas participantes e assim evitando que o dinheiro destinado a obras públicas se concentre, sempre, nas mesmas mãos. O governador também determinou que sejam flexibilizadas as exigências para que as empresas participem das concorrências. A adoção da nova política é corajosa e necessária, porque confere mais transparência nas licitações, ao tempo em que dá oportunidade de sobrevivência a empresas menores e gera a movimentação regionalizada de capitais. De início as licitações mais importantes serão abertas pelo DER e pela Sanepar, para expansão das redes rodoviária e de saneamento. A mesma política passou a ser adotada para aquisição de material, havendo para isto um portal na internet e o pregão eletrônico, que têm barateado custos. O governador também fracionou sua decisão, pois consultou previamente segmentos fora do meio governamental. Do diretor-superintendente deste Jornal, José Eduardo de Andrade Vieira – um dos consultados – o governante ouviu que o caminho é este, o da descentralização de capital e renda. A política econômica brasileira está errada porque persiste no modelo centralizador. Mudou o Governo central mas as práticas equivocadas e nocivas ao desenvolvimento continuam. Os juros estratosféricos – enfatiza o diretor-superintendente da Folha de Londrina – beneficiam parcela diminuta de investidores, cuja fortuna é de origem desconhecida ou está sendo mantida no anonimato. Além disso a carga tributária é extremamente elevada, tanto sobre o faturamento das empresas como sobre a folha de pagamento dos empregados. É isto que também precisa mudar, porque grande parte dos recursos arrecadados por via daquela folha é componente de fundos administrados pelo BNDES, tornando-se instrumento da concentração de renda, porquanto parcelas são juntadas de milhares para compor milhões que são destinados a algumas empresas privilegiadas. Estas, pelo uso da tecnologia e da modernização, acabam não criando emprego algum, razão da existência de tais fundos. É preciso o BNDES mudar seus objetivos – recomenda o empresário e dirigente da Folha, que foi também senador da República e ministro – e redirecionar a aplicação de seus recursos. Por outro lado, assiste-se à extinção ou à falência da concorrência pública, na contratação de obras – uma norma que agora o Governo do Paraná começa a mudar, com o fracionamento das participações. É uma forma de descentralizar capital e renda e promover eficiência, evitando a cartelização e o encobrimento de favores a apaniguados e doadores de campanhas políticas. Ademais, já é tempo de a Receita substituir sua política de aumento da arrecadação pela via perversa da elevação de impostos e optar pelo aumento da arrecadação por meio do crescimento econômico. Voltando ao tema central deste escrito, a decisão do governador do Paraná é um modelo que precisa ser seguido pelos demais Estados e pelo Governo Federal.

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