A boa hora da mudança
Manchete da edição de hoje mostra ao leitor um pouco dos equívocos cometidos por administrações públicas. Muitas vezes à sombra, em acertos de bastidores, o que torna o tom da palavra equívoco brando e inadequado. Gestão governamental deveria ser algo levado à supremacia, em que o respeito ao cidadão deveria figurar como regra. Assim o é, de acordo com os governantes, até que a primeira denúncia surja.
Infelizmente, denúncias foram transformadas em acontecimentos corriqueiros. Nem eles, os governantes, se dão conta do peso que o termo adquire quando se vê estampado na manchete de um jornal que o Ministério Público, a Polícia ou a Justiça investigam ou se pronunciam sobre determinado caso. Equívoco nosso? Talvez. Provavelmente, tenham sim consciência da gravidade do fato. Mas, ainda assim, o desprezam, apostando em mais uma impunidade, na forma de arquivamento do processo por falta de provas ou de uma pena branda demais em relação aos prejuízos que causam.
Então, por conta dessa situação nada normal, as denúncias tornam-se constantes, não porque os jornais se dediquem especialmente a elas. Pelo contrário, porque elas se tornaram comuns, o que significa, de um outro jeito de falar, que quem pratica irregularidades não teme a lei e tampouco se envergonha por estar envolvido em alguma. Infelizmente.
Eis uma boa hora para resgatar a ética e a dignidade, no rastro dessa mudança que o Brasil começa a experimentar.
Walter Ogama





