Como escreveu neste Jornal o economista Celso Ming, é um passo no rumo de amenizar a crise o fechamento do acordo de troca de moedas – no volume de 30 bilhões de dólares – entre o banco central dos Estados Unidos (o Federal Reserve) e o Banco Central do Brasil. Já se previa isto quando a medida provisória 443 do Governo brasileiro autorizou o BC a trocar reais por moedas fortes com outros bancos centrais.
  Outros países fizeram o mesmo, como Austrália, Singapura, Coréia do Sul, México, Canadá, Dinamarca, Inglaterra, Noruega, Nova Zelandia, Suécia, Suiça e a União Européia. Assim, os BCs têm oportunidade de intervir em seus mercados, ante o virus especulativo de suas moedas. O convite ao Brasil para figurar nessa lista de países é considerado importante – como ressalta aquele analista – para no futuro integrar um plano de imunização da economia global contra os males da especulação financeira.
  Em pleno momento de insegurança, busca-se soluções conjuntas, pois se a crise afetou o mundo inteiro, o momento é de buscar respostas comuns. Acredita-se que, no caso brasileiro, seja dado às empresas e instituições financeiras mais amparo para enfrentarem a turbulência. Assim, o Brasil talvez não precise utilizar-se da sua reserva de 203 bilhões de dólares. Esse acordo entre EUA Brasil, via BCs, não exigiu contrapartidas do Governo brasileiro e nem garantias. Dessa forma espera-se que o mercado de câmbio se acalme, como prevê Celso Ming. Ele dá ênfase a um elogio ao BC americano, que vai operando para debelar a crise. Até porque ela teve início nos Estados Unidos, portanto um país com obrigação moral redrobrada de agir, na tentativa de restaurar a própria estabilidade e, por extensão, a mundial. Porque hoje, qualquer abalo no universo financeiro e dos negócios em geral afeta a economia de todo o planeta, e muito mais fortemente do que ocorreu no crack da Bolsa novaiorquina em 1929.
  A velocidade da informação dos dias atuais e a movimentação de dinheiro pelas infovias – o que não ocorria no passado – já não comportam decisões isoladas, e esse fechamento de acordos entre os Bancos Centrais do mundo é um reforço de relevância contra a crise. E bom que o Brasil esteja incluído nesse bloco de nações.

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