Um dos bons ensinamentos é a educação financeira, para saber-se a importância do dinheiro, como gastá-lo inteligentemente e qual a sua real atribuição. O tema está sendo levantado pela repórter Erika Zanon e figura entre as boas matérias educativas deste Jornal, especialmente para as crianças e adolescentes, que já lidam com dinheiro e vão ter de lidar com ele pelo resto da vida. O dinheiro não é um mal e foi inventado para servir como instrumento de troca, embora as instituições financeiras o tenham convertido em mercadoria e o comercializem caro a quem dele precisa.
Como mostram as reportagens, conviver bem com o dinheiro é fundamental, porque se também é dado a ele o nome pouco lisonjeiro de coisa demoníaca - como muitos o denominam - é porque muitos fazem mau uso dele. Abdicar de algumas coisas para adquirir outras, mais úteis e mais necessárias (o que se traduz por consumo consciente), para o empreendedorismo e com o entendimento de que nem tudo é possível por meio e por conta do dinheiro, são sábias atitudes.
Uma série recente de reportagens da TV Globo sobre a família Amorim, de classe média (que virou até anúncio institucional da Caixa Econômica, como se viu ontem neste Jornal), levantou a questão da importância do orçamento doméstico, e o tema, sempre recorrente, é de grande relevância. Porque há ensinamentos acadêmicos para quase tudo, mas muito pouco sobre o bom emprego do dinheiro. Em Londrina escolas já estão se ocupando dessa disciplina, conforme o relato da FOLHA. Um tema enfocado é também o de como evitar o desperdício (caso dos que enchem o prato e não consomem tudo, em casa e nos restaurantes, principalmente os de rodízio). Neste último caso, se o consumidor não se educa, não é despropósito sugerir que as casas do ramo eliminem esse sistema desperdiçador. Também a propaganda incompleta, confusa ou enganosa deve ser policiada e denunciada, porque isto tem a ver com a economia popular. E igualmente os comerciantes inescrupulosos deveriam ser chamados aos bancos escolares para aprenderem o bom desempenho de sua atividade.
Dinheiro não é só a moeda mas o que ele representa em economia de água, de energia elétrica, de combustível e de bens pessoais, sem necessidade de que haja apego exagerado mas apenas zelo e respeito por estas que são dádivas da vida. E até pela consciência de que o que há em excesso para alguns falta para muitos. Esta nova disciplina escolar e familiar chega em boa hora.
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