Mesmo que parcelas da população sejam contra, a campanha de desarmamento dos cidadãos é benéfica, e segundo a Polícia (caso de Londrina) o número de assassinatos em 2004 diminuiu em relação ao ano anterior. Tal é atribuído, pelos organismos policiais, à conscientização daqueles que não querem mais ter arma de fogo em casa. Sempre haverá os que argumentam que os bandidos não são desarmados, a não ser quando presos, e que eles não irão espontaneamente depor suas armas. Certo é que isto não acontecerá, mas a questão fundamental é que um armamento em casa pode cair facilmente em mãos de marginais se eles invadem o domicílio, e também de nada adiantará alguém da família tentar revide. O que chega para assaltar está prevenido e disposto a tudo, tendo certamente mais propensão para acionar a arma, seja para ferir ou matar. A reação será um risco de perder a vida. A recomendação, no trato com esses delinquentes na maioria deles ousados e perigosos é levantar os braços para o alto e acomodar-se, porque um simples gesto de enfrentamento pode acabar em desastrada consequência. Nessas horas a valentia pouco resolve, e mesmo uma pessoa que saiba manejar uma arma é no geral pega de surpresa, pois o invasor não manda aviso prévio. Se, na atual campanha de desarmamento, já foram recolhidas no Paraná 13 mil armas, significa que esse arsenal não será acionado, nem por familiares e nem por bandidos. É um volume expressivo que fica sem ação e deverá ser utilizado pela Polícia ou destruído. Se armamentos podem entrar pelas fronteiras e cair em poder de criminosos, esta é outra campanha de desarmamento que precisa ser implementada, naturalmente por métodos mais rígidos. A ação de desarmamento deve abranger também uma questão bem complexa, que é a das lojas que vendem armas, no sistema do livre comércio; e mais delicada ainda é a existência dos fabricantes, legalmente estabelecidos embora a maioria das armas, leves e pesadas, venha do exterior. Uma campanha que a princípio pode parecer ridícula deverá ser, também, a da suspensão do fabrico de facas de ponta, peixeiras, adagas e punhais, encontráveis em lojas especializadas e inclusive nas de utilidades domésticas. Afora a primeira, de uso caseiro, as outras só servem para matar. Sabe-se que considerável número de assassinatos ocorre por via dessas perigosas armas, que além do mais oferecem perigo no manuseio de cozinha, especialmente se ao alcance de crianças. A observação, na prática, já constatou que uma faca não precisa ter ponta, a não ser para o uso sinistro de ferir e assassinar. Sensibilizar as fábricas, de forma a que mudem seus designs, é tão oportuno quanto promover a campanha de recolhimento de armas de fogo. Desarmar o mais possível, eliminar possibilidades de ferimentos e crimes, é de boa recomendação. Nesse sentido não deverá haver resistência, mas cooperação.

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