No domingo, dia 26 de novembro, festa Litúrgica de Cristo, Rei do Universo, aconteceu a primeira Festa de Carismas e Ministérios da Arquidiocese de Londrina no ginásio Moringão. A programação consistiu numa celebração eucarística que marcou a abertura do Ano do Laicato promovido e lançado pela CNBB no período do Ano Litúrgico 2017/2018. O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato foi: "Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino" e o lema: "Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5,13-14)". Pretende-se trabalhar a mística do apaixonamento e seguimento a Jesus Cristo. "Isto leva o cristão leigo a tornar-se, de fato, um missionário na família e no trabalho, onde estiver vivendo". O Ano do Laicato tem como objetivo geral: "Como Igreja, povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade".

Muitas vezes somos questionados sobre "quem é o leigo?". Leigo é aquele que não recebeu ordens sacras. Em outras palavras, não é presbítero, religioso, religiosa, etc. O Concílio Vaticano II definiu o cristão leigo de maneira positiva e afirmou a sua plena incorporação à Igreja e ao seu mistério. Segundo o texto da Lumen Gentium, "estes fiéis foram incorporados a Cristo pelo batismo, constituídos povo de Deus e, a seu modo, feitos partícipes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo" (n.31).

A missão dos leigos é a relação e contato mais direto com as diversas realidades do mundo que precisam ser iluminadas com a luz do Evangelho. O significado dessa relação vem de uma grandeza maior que é o Reino de Deus. Anunciado e inaugurado por Jesus Cristo, o Reino de Deus diz respeito ao plano de Deus para toda a sua criação e tem sua última realização no próprio Deus, quando todos forem um com Ele (cf. Cl 3,110. A Igreja deve ser sinal visível do Reino no mundo (cf. LG n.1).

Em grandes linhas, a missão dos leigos passa pelos ideais de uma Igreja sempre mais encarnada no mundo. A ação rotineira feita nas funções diárias da casa, no trabalho e no lazer. A ação realizada com amor contribui com a construção do reino no cotidiano e revela a própria presença de Deus. Outra forma de entender a função do leigo é uma Igreja "em saída". A Igreja e o mundo são realidades autônomas e não separadas. A relação entre elas não é excludente. Há, no núcleo da noção de Igreja, uma abertura radical que se "estende a todos os povos da terra" (LG, 13). Outra ideia interessante é uma Igreja pobre, para os pobres e com os pobres. "Os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho, e a evangelização, dirigida gratuitamente a eles, é sinal do Reino" (EG, 48).

É também, uma Igreja do serviço, da escuta e do diálogo. É importante que a Igreja continue se esforçando por uma "cultura do encontro" em que todos contribuem e todos recebem. O encontro gera compromissos para o bem comum, com sabedoria e humildade. Enfim, todos os cristãos são chamados a serem "verdadeiros sujeitos eclesiais" (documento de Aparecida, 497a). Sujeito eclesial não é uma realidade pronta, mas um dom que se faz compromisso permanente para toda a Igreja, em sua missão evangelizadora, sempre em comunhão com os demais membros.

Coloque-se se a serviço nas muitas pastorais, nos movimentos, nas associações, nos muitos serviços eclesiais e seja alguém que, como leigo e leiga, presta o seu serviço para a construção do Reino de Deus.

DOM GEREMIAS STEINMETZ é arcebispo de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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