A baixa escolaridade de candidatos
É pertinente à realidade brasileira o fato de 53% dos 380 mil candidatos à eleição de outubro não haverem terminado o ensino fundamental e 45% não terem curso médio. Desse universo é que sairão os prefeitos e vereadores que irão governar os 5.563 municípios a partir de janeiro de 2009. Não se imagina qual será o grau dos eleitos, mas o quadro não deve se alterar muito, porque esta é a oferta que o Brasil disponibiliza. Costuma-se dizer que contra fatos não há argumentos, porque esta é a realidade que se desenha, não se podendo esperar milagres de futuros políticos com esse preparo.
Com um tal nível, muitos irão demorar para entender os regimentos e saber quais serão as suas atribuições quando tomarem as rédeas do poder. A decisão da escolha será dos eleitores, mas estes situam-se na mesma proporção educacional dos candidatos, porque as duas camadas são predominantes na sociedade brasileira. Os números publicados mostram também que nesse contingente de disputantes existem muitas pessoas simplórias, algumas mais parecendo aventureiros que buscam ganhar na sorte, eventualmente por voto de protesto.
Não entra na avaliação se esses simples venham ou não exercer com honestidade o mandato, se eleitos, mas é indiscutível que seria necessário que os partidos políticos fizessem uma melhor seleção prévia. Tem-se afirmado que todo candidato representa certa faceta do meio, mas assim mesmo incumbe a cada partido escolher os mais preparados e com mais indicativos de competência e seriedade, sem apelar para figuras mais populares que podem aglutinar votos mas não mostram capacidade de exercer função pública eletiva. Recorde-se que, no Brasil, o deboche do eleitorado já elegeu um hipopótamo do zoológico de São Paulo como vereador - o Cacareco. Cresceu bastante o número de eleitores - que saltou de 15 milhões no início dos anos 60 para os 126,9 milhões atuais, mas o índice da baixa escolaridade foi sempre proporcional, porque, com todos os avanços, os governos não acompanharam o aumento populacional e não supriram em capacitação escolar as necessidades nacionais.
Hoje começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, alterando a programação desses veículos e também os hábitos dos ouvintes e telespectadores. As pessoas consideram este o pior momento - porque é fato que a maioria não suporta a enfadonha fala dos candidatos - mas assim é o processo democrático e a melhor forma de o eleitor escolher.





