Ao longo de décadas, o crescimento desordenado fez com que Londrina crescesse sem os devidos cuidados com a estruturação do seu sistema viário. Contribuíram também para piorar tudo isso os loteamentos clandestinos e as seguidas aprovações de loteamentos, sem que houvesse uma coordenação entre os mesmos na parte relativa ao sistema viário. O resultado são ruas estreitas, sem área de reserva para o seu alargamento e para implantação de obras de arte estruturais (viadutos, trincheiras, trevos etc.) que serviriam para garantir a articulação do sistema viário. Tudo isso, dificulta muito as ações sobre o sistema viário, como é sabido e notório.
É fundamental, portanto, que o planejador de transportes, ao debruçar-se sobre Londrina tenha ciência disso e saiba que, antes de tudo, deverá procurar resolver os problemas locais buscando, além das soluções clássicas contidas em manuais técnicos, também soluções próprias e em muitos casos inovadoras, contribuindo sempre para aumentar a segurança do usuário do sistema de transporte, seja ele o condutor do veículo, seu acompanhante ou, principalmente, o pedestre.
No projeto da Avenida Maringá, objeto de reportagens da imprensa nos últimos meses, buscou-se resolver os conflitos que existiam em várias de suas vias transversais, garantindo acessibilidade, fluidez e segurança ao tráfego. Dentro da implantação dos semáforos de ciclo visual e da nova arquitetura proposta para a disposição dos mesmos, procurou-se adotar conceitos já utilizados em outros países como a França, Itália e Inglaterra, por exemplo.
Com a utilização do semáforo de ciclo visual, o condutor do veículo tem condições de saber o tempo que ainda lhe resta, tanto em relação ao verde quanto ao vermelho, com maior tranquilidade. Ainda, o tempo de amarelo funcionará como de segurança absoluto. A possibilidade de visualizar os tempos restantes de verde e vermelho darão ao condutor do veículo condições de, obedecendo a velocidade permitida no trecho, deslocar-se com maior eficiência, aproveitando-se da onda verde programada entre cruzamentos consecutivos, e, consequentemente, economizando combustível e evitando o stress, oriundo de paradas sucessivas e imprevisíveis no tráfego.
Mereceu ainda especial atenção, no projeto da Avenida Maringá, o pedestre, que agora tem semáforos com tempos exclusivos nos sete cruzamentos semaforizados. Observou-se ao longo da elaboração do projeto que devido a largura atual da via (a Avenida Maringá tem 13 metros de leito carroçável), poderiam ocorrer problemas em determinados momentos para a travessia de pedestres, por conta daqueles que tentassem atravessar a via, alguns segundos após ter começado o tempo de verde para pedestres, e que poderiam ter que esperar o início do próximo verde sem terem concluído a travessia.
Por isso, no sentido de dar total segurança aos pedestres e disciplinar as correntes de tráfego, além das faixas zebradas, optou-se por desenvolver um tipo de refúgio a ser implantado no eixo da pista, que desse condições de abrigar o pedestre com segurança. Naturalmente, para isso, a equipe do IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) teve que ser criativa no sentido de desenvolver um desenho geométrico próprio, que pudesse ser adaptado ao corpo da Avenida Maringá. Tarefa nada fácil, é bom que seja dito, dada a escassez de largura que a via apresenta, visto que a mesma deve atender a dois sentidos de tráfego.
Dentro destes princípios, o IPPUL tem procurado encontrar soluções para os problemas do nosso sistema viário. Projetos como a Rotatória dos Pioneiros, os binários implantados na Rua Souza Naves e na Rua Mato Grosso, e vias adjacentes, serviram como modelo para vários outros projetos já desenvolvidos por este Instituto e já implantados ou em fase de implantação, visando distribuir melhor e aumentar a fluidez e segurança do tráfego. Deve-se destacar também o Projeto Bairro da Gente, onde são implantadas sinalizações atendendo os bairros londrinenses. Neste projeto já foram atendidos mais de 40 bairros.
É assim que a equipe técnica do IPPUL, com o apoio do prefeito Antonio Belinati e da nossa comunidade, pretende continuar trabalhando pelo crescimento sustentado de Londrina.
- MARIO CESAR STAMM JÚNIOR é diretor-presidente do Ippul em Londrina

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