A austeridade que se exige dos novos prefeitos
Desmandos que aconteceram em administrações públicas municipais que ora se encerram e que alimentaram de denúncias o noticiário, são pontos negativos que revoltaram a opinião pública, agora atenta aos novos prefeitos e vereadores que assumem, e dos quais com razão reclama austeridade e honestidade. Os cidadãos já pouco acreditam nos homens públicos, mas houve renovação nos comandos, e a esperança é que a moralidade pública vá se instalando, depois de tantas histórias de corrupção e gastos abusivos.
No caso do Paraná, a ordem anunciada por muitos prefeitos é administrar com seriedade, com alguns já criando projetos de diminuição de despesas, e o que se espera é que levem adiante esse propósito. Começando por Curitiba, o prefeito reeleito Beto Richa deu a arrancada para uma gestão mais enxuta, que signifique economia de dinheiro no que pode ser cortado e a aplicação em programas mais consistentes e que melhor atendam aos munícipes.
Em Londrina, o prefeito interino Padre Roque resolveu fazer fusões de Secretarias, com o propósito de diminuir o custo da máquina pública, sem prejuízo dos atendimentos básicos e de obras que devam ser implantadas. Sua gestão pode ser curta, pela circunstância de a comunidade estar aguardando um novo pleito eleitoral, mas a medida tomada de imediato foi sensata. Esses dois exemplos, por partirem das duas maiores cidades do Estado, devem servir de exemplo para os demais municípios. Os problemas sociais e a exigência de obras são proporcionais a cada comunidade, à receita de cada uma e ao volume de suas necessidades, então a reformulação que pode ser feita nas grandes cidades vale também para as médias e pequenas. O prefeito de Cambé, município limítrofe de Londrina, adotou a mesma postura de conter gastos. Já na também vizinha Tamarana, que tem receita baixa, uma medida da Câmara municipal anterior foi elevar, nos últimos dias do ano, o salário do prefeito reeleito, de seu vice, dos Secretários, numa verdadeira afronta à comunidade.
Fazer bom uso do dinheiro - e especialmente do que pertence ao povo e é entregue em confiança aos governantes - não é uma medida que deve ser tomada apenas porque pairam temores sobre o desdobramento da crise financeira mundial, com reflexos no Brasil, mas porque é um imperativo da ordem pública, da ordem econômica e da ordem moral. O sistema de renovação dos prefeitos (e por extensão de todos os cargos eletivos) existe justamente para que não se perpetuem eventuais vícios, mas para que os novos façam inovações, primando pela operosidade e pela austeridade, o que se deve compreender também como ausência de abusos e de corrupção.





