A adesão da quase totalidade do PMDB à candidatura Lula um apoio que vem se expandindo dentro do partido assim como de ''viúvas de FHC'' que estavam guardando silêncio e ora se manifestam, não significa uma identificação com o ideário petista (hoje um arremedo do que foi historicamente) e nem apoio ao frágil e frouxo governo que aí está, mas um oportunismo visando cargos e poder de mando. O favoritismo revelado pelas pesquisas é que exerce a magia de reunir tantos adeptos. Se a corrida eleitoral do candidato-presidente parece estar ganhando de goleada quase 50% pró-Lula contra 32% em favor de Alckmin, e o mais dividido em fragmentos a aderência se torna tentadora. Não para um programa de governo mas para o plano de expansão do poder, em que se engajam figuras como o peemedebista e ex-presidente José Sarney, de muita história de caciquismo político e poucas realizações; Renan Calheiros, presidente do Senado; mais o ex-ministro de FHC Moreira Franco; Sérgio Cabral, candidato ao governo do Rio de Janeiro e aliado de Anthony Garotinho, adversário de Lula, e assim por diante. Se havia focos de resistência dentro do grande partido, eles vão se diluindo, por força da evidência de que o Governo Lula continuará por mais quatro anos. Não causará surpresa se opositores ortodoxos venham a se somar aos simpatizantes da reeleição. Um Governo de coalizão seria uma boa opção se isso tivesse o significado de uma união nacional e trouxesse em seu bojo um revolucionário programa governamental, mas isto não ocorre, até porque já se sabe quem são essas velhas raposas. É a soma para não somar nada neste tal plano de expansão, como foi apelidado esse movimento, dentro dessa ala oportunista. O próprio candidato não tem uma proposta de governo, e se esta for a continuidade do que ele tem feito, então as perspectivas são sombrias. O seu PT está esfacelado e desacreditado e perdeu seus líderes pelos descaminhos da corrupção. Então, a não ser para o ideal de permanência no poder, o Presidente não diz quais são seus projetos para os próximos quatro anos. E não diz porque não os tem. Para isto, precisaria dispor de uma equipe altamente qualificada, que não precisaria estar vinculada a partidos mais extraída do núcleo da inteligência nacional, que os possui. Não será do forte aliado, o PMDB, que o futuro Governo irá extrair essa equipe, pois o partido não conseguiu sequer produzir um candidato apto à concorrer à Presidência. Todos os que aderem não deixam barato: eles desejam cargos, e pela amostragem de quem continuará administrando politicamente a nação brasileira, já se sabe que nada de extraordinário irá acontecer.

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