A Economia Criativa vem ganhando mais espaço no mercado. O conceito, antes abstrato e com conexão imediata com o mundo artístico, ressurge numa nova perspectiva que amplia o olhar para a aplicabilidade nos negócios que, mesmo intangíveis, já começam a ser percebidos como vertentes reais para um caminho sem volta na chamada nova economia.

A corrida pela inovação e para o mundo da experimentação, que avançou do tradicional investimento no produto e no serviço para a experiência compartilhada, está permitindo compreender os muitos tentáculos do desenvolvimento e da expansão da Economia Criativa que absorve o capital intelectual, a inovação e a criatividade para gerar negócios que as pessoas querem consumir.

Cada vez mais o ter um bem está sendo substituído pelo ter acesso, usar quando necessário, ter novas experiências em prazos curtos, ampliar possibilidades de conexão, criar interatividades. Com o emprego da Economia Criativa o mundo ganha novas dimensões para fazer negócios. Estamos migrando do tangível para o intangível, para a desmaterialização em favor da experimentação.

A cultura, a criatividade, o conhecimento, a tecnologia, a inovação e as experiências compõe o que se chama de Economia Criativa. Nesse contexto, vários são os serviços criativos que se inserem na economia de uma localidade como moda, design, produção audiovisual, publicidade, festivais, gastronomia, arquitetura, turismo cultural, entre muitos outros.

O Fórum Desenvolve Londrina estudou, ao longo de 2018, o conceito e as oportunidades que se desvendam com a Economia Criativa conectada com o desenvolvimento sustentável da cidade. Durante todo o ano, ouvimos especialistas e pessoas inseridas nos vários segmentos diretamente impactados por investimentos e ações da Economia Criativa. Os problemas encontrados e as soluções visualizadas comporão o caderno de estudos da entidade de 2018.

Londrina tem muitos dos segmentos da Economia Criativa na sua essência e possui inúmeros talentos expressos no capital intelectual, cultural e inovador. Mas, o que falta para transformar tudo isso em negócios que favoreçam o desenvolvimento sustentável da cidade? Londrina é também uma cidade empreendedora e transformadora. O que precisamos é entender que o mundo está mudando e que se torna urgente apostar no criativo como talento para a geração de negócios e qualidade de vida.

A mentalidade, tanto das lideranças empresariais quanto dos líderes de governo, precisa mudar para que Londrina possa ser beneficiada do olhar macro que já é realidade em várias partes do mundo. Somos uma cidade onde a tecnologia se diferencia com a grande quantidade de startups locais; somos um arranjo produtivo de software e de audiovisual; temos uma variedade gastronômica que espelha a diversidade das etnias; temos história como os muitos festivais que trazem gente do mundo inteiro para vivenciar a música, o teatro e a dança; somos também patrimônio cultural e temos opções diferenciadas para a vivência do turismo rural.

O que falta é olharmos para tudo isso para entender como transformar nossas raízes em desenvolvimento de novos negócios, em sustentabilidade econômica da localidade Londrina. Somos também um polo educacional sedento por interagir com um novo mercado, onde os jovens encontram terreno propício para criar e inovar com talento empreendedor. É preciso abrir os olhos para enxergar novas potencialidades, migrando do modelo que privilegia a infraestrutura para a o novo modelo que aposta na criatividade como geradora de valor.

Cláudia Romariz é presidente do Fórum Desenvolve Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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