Certas pessoas têm obstinação por entrar na vida pública pela via do cargo eletivo, e quem já está nele luta com unhas e dentes para preservá-lo. Agora são os suplentes de vereadores esperando ser aprovado o projeto de ampliação das vagas nas câmaras municipais. Muitos esperam tomar assento nesses parlamentos já nesta legislatura, e obviamente que não por espírito público mas para desfrutar dos ganhos e mordomias pertinentes.
A proposta, com grande possibilidade de ser aprovada, eleva em mais de 7 mil o número de vereadores no Brasil, embora com a ressalva de as verbas serem reordenadas e não permitir que os gastos nas câmaras sejam aumentados. Legiões de suplentes deslocaram-se até a capital da República para assistir ao andamento das discussões a respeito e fazer lobby. Porque ser vereador é um bom negócio sob o aspecto do ganho - e isto ocorre também com os demais escalões do Poder Legislativo e outras tantas funções relevantes da esfera pública.
Ressalvadas as exceções - porque elas existem - não é preciso penetrar na consciência dos postulantes a esses cargos para saber que a maioria busca um bom emprego por essa via. Porque, pelo modelo brasileiro, não há zona mais confortável do que conviver no ambiente parlamentar como usufrutuário do poder. O ganho é ótimo, sem cobrança de produção (embora o povo reclame isso), passagens aéreas para ir e vir, verbas de indenização, possibilidade de propinas (como exemplo o mensalão), as imunidades e por aí em diante. Uma paga razoável se justificaria se os parlamentares fossem diligentes servidores e se ocupassem de discutir e aprovar relevantes proposições e reformas de interesse nacional. Mas todos sabem que eles, na maioria, apenas visam fortalecer o próprio corporativismo e permanecer continuamente no poder. Não fosse esta a verdade, não haveria tanta obsessão por eleger-se e reeleger-se. Tanto no Legislativo quanto no Executivo, quem está lá dentro não quer sair ou anseia retornar.
De passagem, cita-se tópico de ontem do Informe Folha: ''Por falta de quorum a sessão plenária de ontem de manhã da Assembleia Legislativa do Paraná acabou interrompida''. Apenas uma amostragem a testemunhar que tais agentes públicos não levam a sério nem o regular comparecimento às sessões. O anseio dos suplentes de vereadores para subir ao poder mostra a voracidade que impera, qual corrida desesperada para ingressar na doce vida dessas paragens paradisíacas do poder.
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