Sob o nome de ''O dia que a história mudou'', Maria Lúcia Victor Barbosa dissolveu vários dos mitos que têm assombrado os meios de comunicação após a derrubada das torres gêmeas de Nova York. A análise da socióloga, escritora e professora universitária em Londrina é tão boa que me limito a citá-la e comentá-la:

''Desde 11 de setembro de 2001, sem medo de errar, podemos dizer que entramos numa nova idade mundial que ainda não tem nome, da qual vislumbramos muito pouco em termos de futuro, mas que acabou de chegar com toda sua carga de transformações profundas, de alterações que irão marcar a vida de cada ser humano em todo o mundo.''

E então mostra ela que grupos e pessoas não conseguem compreender os acontecimentos, são os mesmos que crêem que a globalização produz pobreza, quando é evidente a inclusão de povos e países no concerto mundial através de seus meios. O México acabou de ultrapassar o PIB brasileiro. Isso ocorreu em poucos anos de inclusão e vinculação com a economia americana através da Nafta. Aqui há os que declaram que ele está sendo explorado pelo vizinho mais forte. Pensam como o ministro Cavallo, que os problemas da Argentina quem produz é o Brasil...

''Portanto, não há motivo para regozijo com relação ao ataque às torres do World Trade Center de Nova York e aos prédios do Pentágono, símbolos do poder financeiro e estratégico-militar dos Estados Unidos, ataques que na verdade vitimaram milhares de civis americanos e estrangeiros. Assim, algumas críticas feitas na nossa imprensa por certos intelectuais, muitos dos quais já estiveram na Nação norte- americana para estudar, trabalhar e usufruir de sua prosperidade, soam rudimentares e anacrônicas no cenário que se desenha no pós 11 de setembro. Mesmo porque, governos do mundo inteiro, incluindo os da Rússia, da China, de Cuba e o próprio Yasser Arafat demonstraram sua consternação e sua solidariedade diante do atentado brutal e monstruoso que, na verdade, enlutou a humanidade e principiou um período que repercutirá, inclusive, na frágil economia brasileira que já vinha sendo abalada com a crise Argentina e as perspectivas pouco alvissareiras da sucessão presidencial.''

E diz mais, a socióloga: ''A repercussão do ato hediondo é tão séria, que nenhum grupo extremista quer assumir a responsabilidade pelo mesmo. Até o Taleban, que no Afeganistão hospeda o bilionário Osama bin Laden, garantiu que o inimigo número 1 dos Estados Unidos e quintessência do ''islamismo mais enlouquecido'' na expressão de Gilles Lapouge, não está envolvido. Isto apesar de Bin Laden ter advertido há três semanas, que seus seguidores lançariam um ataque sem precedentes aos Estados Unidos. Além do mais, o cabeça do terrorismo mundial parece ser o único a ter condições para dirigir com êxito a coreografia perfeita do horror a que o mundo assistiu estarrecido.''

''Desfilar agora críticas ao ''Grande Satã Branco'', culpar os Estados Unidos pelo brutal atentado a seu povo, é como dizer que Silvio Santos foi culpado por seu sequestro porque o sequestrador é a verdadeira vítima do sistema. Com essa toada sempre repetida à exaustão, é que conseguimos aperfeiçoar nosso sistema de impunidade e nos tornamos alvos sempre à disposição de sequestradores, de criminosos de toda a espécie, de traficantes, cujos direitos humanos no Brasil costumam ser defendidos ferozmente.''

''De todo modo, se os símbolos do poder norte-americano foram atingidos, a Estátua da Liberdade permaneceu de pé. Em meio à tragédia sem precedentes isso pode ser um bom indício. Pode significar também, que a partir de agora a guerra se dará entre os que defendem a liberdade, a democracia e a prosperidade, e os que defendem o terror, o narcotráfico, os Bin Laden, os Saddan Hussein, as Farcs, a violência, o desrespeito à vida como meio de dominação. Não haverá meio-termo. E é preciso que o governo brasileiro, cheio de bom-mocismo, sempre em cima do muro em termos de sua política externa, tome consciência disso.''

Este acontecimento acentua a globalização, os problemas de um país atingem todas as nações. Os braços armados que executam colonos como agora passaram a fazer as milícias do MST no Rio Grande do Sul sob os olhos do complacente governo do PT gaúcho, atingem a ordem social do País inteiro. Quanto mais cedo acordamos para o fato que a cabeça da hidra deve ser cortada antes de seu crescimento, melhor. A tolerância com os desordeiros do mundo inteiro entrou em declínio nesta terrível semana.



- PETRUCIO CHALEGRE é empresário e consultor em Porto Alegre
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