Dois milhões anuais de processos trabalhistas é volume alto demais. É o que ocorre no Brasil contra apenas 75 mil nos Estados Unidos, no mesmo período, 70 mil na França e pouco mais de 2 mil no Japão. Isto nunca foi novidade para quem se dedica ao exame das aberrações trabalhistas brasileiras. Tudo isto por conta da sexagenária e anacrônica legislação trabalhista, inadequada e inibidora de empregos e só defendida pelo sindicalismo vesgo e retrógrado. A nova denúncia dessa anomalia é feita agora pelo sociólogo José Pastore, especialista em relações de trabalho há quatro décadas.
O Brasil é campeão em ações trabalhistas, o que já se converteu num rendoso negócio para empregados inescrupulosos, porque - embora ainda haja casos de exploração pela classe patronal - hoje a empresa está consciente dos rigores da lei que aí está, e a segue, para evitar danos maiores. O que ocorre é que as brechas da legislação permitem absurdos, e disso se valem os advogados trabalhistas. A partir daí, uma corrente de benefícios ocorrem, a ponto de levar empresas a grande dificuldades e mesmo à falência. O ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho Almir Pazzianotto declara que houve ''uma banalização da Justiça do Trabalho no Brasil'' e que ''qualquer coisa é motivo para entrar com ação trabalhista''. E Pastore qualifica a legislação trabalhista de ''anacrônica, ultrapassada, detalhista e irreal''.
Observe-se que nos EUA, onde o sindicalismo trabalhista é poderoso - porém criterioso e vinculado aos interesses maiores da nação - não existe Justiça do Trabalho, até porque desnecessária diante de uma legislação constitucional mais sábia para o setor. No Japão, o número de processos trabalhistas é mínimo, como se observa (pouco mais de 2 mil/ano contra os 2 milhões no Brasil), porque há uma consciência de que uma lei não pode prejudicar o desenvolvimento, e este é um entendimento também evoluído do sistema legal. Porque sem empresa não há emprego, não há ganho, não há geração de tributos, não há crescimento econômico. Os próprios trabalhadores têm consciência de que se uma empresa vai mal, eles também irão mal.
Mudar a legislação trabalhista no Brasil é mais que urgente, e isto não significará tirar direitos do trabalhador. Fala-se de direitos legítimos e não de oportunismos. Pazzianotto - indiscutivelmente uma autoridade nessa questão - defende a reforma da Consolidação da Leis do Trabalho de forma que sejam eliminadas as distorções atuais e incentive a empresa a contratar mais. Outro absurdo é o pesado encargo que o empregador paga, na folha de pagamento do pessoal, e quem ganha não é o trabalhador mas o sistema governamental, gastador, desperdiçador, explorador, corrompido e pouco operante.

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