Uma das passagens curiosas de ''O Pequeno Príncipe'', de Saint Exupery, é a do plantio de um baobá, árvore gigante, num planetinha. Com o tempo a planta cresce e obviamente detona o astro, fragmentado no infinito. Curitiba e Londrina são cidades que por seu porte correm o risco sério de se desfigurar se não tiverem, em seus planos diretores, o respaldo de uma política adequada de usos do solo, seu partilhamento, seu zoneamento, respeito às vocações.
E como estamos vivendo um momento abrasivo no mercado imobiliário, um boom espetacular, que atinge todas as cidades de porte médio, mas especialmente os dois maiores centros urbanos, a necessidade de atender tais fundamentos e evitar distorções como as que se dão na Capital com adensamento excessivo das construções e que leva a deformações como a montagem de ''feudos'' com ruas fechadas e de características condominiais.
O pior é que no açodamento de atender a demanda da Copa de 2014, algo que no Brasil significa anestesia, lança-se mão de um absurdo para viabilizar a Arena da Baixada através do chamado ''incentivo construtivo'', eufemismo encontrado para disfarçar o emprego de dinheiro público na iniciativa. Como somos uma sociedade acrítica não poucas instituições, contaminadas pela euforia da Copa, como se essa fosse capaz de num passe de mágica resolver nossos problemas, foram envolvidas no triunfalismo e apenas o Instituto dos Arquitetos do Brasil, secção estadual, ofereceu restrições à iniciativa.
A permissão para os detentores do ''incentivo'' de construir acima dos limites de recuo e gabarito gera ilegalidades que a simples arguição em juízo, pelo princípio da isonomia, poderá conceder igual abuso a um vizinho. Com isso se romperá todo e qualquer regramento sem falar que a concessão atual, ao menos pretendida, é várias vezes superior à totalidade do já concedido sob esse fundamento. No planeta, que se dizia modelo, estão regando as mudas do baobá. É o baobá do oba-oba.

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