Preocupado com as notícias sobre a possível extinção do BRDE Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, eu relembro claramente a luta pela reabertura do banco, da qual participei ativamente como deputado estadual, em 1991. Depois desse episódio, venho acompanhando o desempenho do BRDE, que só tem crescido, tendo galgado em dezembro de 1996 a invejável posição de 13º colocado em patrimônio líquido, entre os 50 maiores bancos do Brasil.
Em 1989 alegava-se que o BRDE deveria ser liquidado por deficiência financeira e patrimonial. Agora, fala-se novamente em seu fechamento. Será que mais uma vez o Banco Central está querendo extrapolar suas atribuições para legislar sobre a autonomia dos Estados?
No caso do Paraná, tenho a certeza absoluta que perderá muito com o fechamento do banco. Não consigo perceber que vantagens o Estado vai obter com a paralisação das atividades de uma estrutura de fomento já pronta, sólida e funcionando a pleno vapor e da qual, mesmo sem injetar recursos, se beneficiou, no ano passado, com a aprovação de mais de R$ 138 milhões em financiamentos para empresários paranaenses. Além do que, o BRDE pertence aos três Estados do Sul, e não só ao Paraná.
Lembro que em 1991, o BRDE também foi vendido ao Banco Central, mas acredito que até hoje tenha governador aguardando o seu pagamento. Temo que os governos não tenham aprendido a lição.
Naquela ocasião concordaram com a paralisação do banco, o que resultou em dezenas de empresas paranaenses, gaúchas e catarinenses com seus projetos totalmente comprometidos, pois dependiam de financiamentos já parcialmente liberados e, de repente, suspensos por mais de três anos.
Por isso, é imprescindível que as pessoas que decidirão sobre o desfecho deste assunto não esqueçam de aproveitar os ensinamentos que a história lhes oferece.
Mais grave, porém que este papel que o Banco Central vem desempenhando na questão do BRDE, é a atitude do governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto. Ele vem tentando imputar ao nosso governador a responsabilidade pelo fechamento da instituição, usando maciçamente a imprensa para jogar a opinião pública, principalmente a gaúcha, contra o respeitável governador Jaime Lerner.
Pergunto-me - sem encontrar resposta - sobre as razões que moveriam o governador gaúcho nesta cruzada contra o BRDE, criado há mais de 35 anos e responsável pelo financiamento de inúmeras obras importantes nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
- ALGACI TULIO é jornalista e vice-prefeito de Curitiba

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