O problema do desfavelamento em Londrina não se resolverá apenas pela reestruturação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano, o IPPUL cuja precária estrutura está sendo questionada e é assunto de hoje neste jornal. A presença dessa instituição é fundamental para readequar o Plano Diretor da cidade, mas apenas no que respeita à atualização de números, porque esta é uma peça de validade perene, por ser definidora das diretrizes que uma comunidade quer seguir. É um código de normas que, acima de existir, deve ser aplicado na prática. Certo é que será mais difícil solucionar problemas sociais sem dados e instrumentação em mãos, porém se sabe que a questão das favelas tem a ver com políticas socioeconômicas. Os números de Londrina são assustadores: há 60 favelas na cidade e nelas vivem um quinto da população, ou 100 mil pessoas. Mas não será preciso dizer para entender as condições de vida dessa gente e por que ocorre tanto atentado ao patrimônio alheio e tanto assassinato. Cidades grandes, se usufruem da vantagem de atrair gente das regiões circunvizinhas que chega para consumir e comprar, também paga a contrapartida de precisar municiar-se de recursos e serviços, e entre eles está a moradia das pessoas que vêm seduzidas pelas luzes da metrópole e dos seus acenos de emprego em abundância. Está certo o diretor do IPPUL ao afirmar que sem renda para as pessoas não se acabará nunca com as favelas. E ganho, se obtém com emprego, porque mesmo para pagar a prestação da casa popular o chefe de família precisa ter renda. Mas enquanto os bons ventos do desenvolvimento econômico e do pleno emprego não soprem, será preciso ir buscar dinheiro onde ele está e promover o desfavelamento, a qualquer custo. Experimentos do passado, em Londrina, atestam que isto é possível. Melhor se o emprego estivesse na frente, mas quanto tal não acontece, primeiro é instalar decentemente as famílias e depois saber como elas irão pagar a casa. Em ambiente de mais dignidade as pessoas sentem-se mais propensas a melhorar a própria imagem pessoal e sair em busca de qualificar-se para um trabalho, assim abrindo mais possibilidades de encontrá-lo. Como o advento dos Cinco Conjuntos, isto, de certa forma, aconteceu, porque o núcleo populacional florescente e bem ordenado atraiu estabelecimentos comerciais, industriais, serviços, e estes precisaram de mão-de-obra e passaram a abrir vagas que se não atendem a todos, beneficiam a muitos. Ao lado do reordenamento das diretrizes urbanas, por via do IPPUL, é preciso elaborar projetos técnicos de viabilidade, na área habitacional, e bater às portas das instituições financeiras. Um quinto da população morando em favelas é um volume preocupante e não pode haver perda de tempo para a busca de atenuar e mesmo erradicar o problema. Mas será preciso empenho, fazendo as coisas acontecerem.

mockup