O custo de vida para o londrinense ficou mais caro no último mês, colocando em jogo o orçamento doméstico que, para muitas famílias, já está comprometido se considerarmos o alto índice de endividamento - 80% dos lares brasileiros declararam possuir algum tipo de dívida em fevereiro, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Conforme a mais recente pesquisa do NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) – Campus Londrina, o valor médio da cesta básica na cidade subiu para R$ 658,06 em março de 2026. O índice representa uma alta de 4,85% em comparação a fevereiro, quando o conjunto de alimentos custava R$ 627,60.

Os alimentos pesaram para elevar o índice. O aumento foi puxado principalmente pelo setor de laticínios e hortifrúti. Dos 13 itens que compõem a cesta nacional, seis apresentaram elevação nos preços em relação ao mês anterior. O leite foi o grande vilão do mês, registrando um salto de 31,3% em seu preço médio. Logo atrás aparecem o tomate, com alta de 28%, o feijão, que subiu 17,9% , além da margarina (+9,9%) , banana (+5,3%) e o pão (+1,4%).

A alta de 4,85% impacta diretamente sobre o trabalhador de baixa renda, considerando que quase 90 horas de trabalho mensal com base no salário mínimo nacional são necessárias apenas para garantir alimentação básica. Para uma família composta por dois adultos e duas crianças, o dispêndio mensal mínimo com alimentação em Londrina atingiu R$ 1.974,19.

A pesquisa, realizada em 11 redes supermercadistas entre os dias 29 e 30 de março, destaca que a comparação de preços continua sendo a melhor ferramenta do consumidor. Se o comprador se dispusesse a adquirir apenas os produtos de menor valor em cada um dos estabelecimentos, pagaria R$ 527,87, uma economia de 19,8% em relação à média.

Pesquisar os preços é um bom conselho e atitude importantíssima, mas nem sempre é uma alternativa viável para os consumidores com pouco tempo e pouca mobilidade para pesquisar em múltiplos estabelecimentos. Esse aspecto aponta que a alta da cesta básica em Londrina não é apenas um dado econômico, mas um sintoma de desequilíbrios profundos.

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