A agenda social do PFL
O simplismo, a falta de estudos mais atentos e a velocidade com que as informações são propagadas, fazem certas ladainhas, futricas de esquina, virarem verdades da noite para o dia. Dentre as ladainhas que andam empurradas pelos ventos modernos, estão duas totalmente falsas sobre os partidos políticos brasileiros. A primeira: eles não cumprem a sua função básica de reunir iguais na defesa do interesse da maioria. A segunda: a legislação é fraca e permite vários tipos de casuísmos partidários.
Numa análise superficial poderíamos ser levados, de forma equivocada, a crer nestas afirmativas defendidas em barricadas teóricas até mesmo por acadêmicos de renome. Mas, é o bastante colocarmos estes pretensos fatos sob o espectro da história para deduzir que não é nada disso.
Para começar, a nossa democracia é extremamente jovem, o que não tem impedido o País de avançar para um novo patamar de defesa dos direitos individuais e coletivos. É óbvio, quase que ululante, que pouco mais de 15 anos são insuficientes para consolidar os partidos políticos, no entanto, também é fato que gozamos de plena liberdade democrática.
Acreditamos que a dificuldade dessas novíssimas legendas de elaborarem uma leitura correta da sociedade e suas demandas está dentro delas próprias e não fora nos códigos ou Constituição, como pretendem vários intelectuais e observadores políticos. Hoje, pela nossa vivência partidária, podemos afirmar que a elaboração de programas e plataformas eficientes, em compasso com a realidade, deveria ser a preocupação das legendas existentes, ou das pessoas que pensam dentro dessas estruturas.
Praticamente todos os partidos brasileiros foram formados a partir de um programa feito por meia dúzia de bem-intencionados. Um erro que se justificou pela forma em que retomamos o regime democrático e pela própria cultura política da época meados dos anos 80 portanto desculpável. É lógico, que formados de cima para baixo, sem a experiência real, a não ser a exigida pelo momento imediato, os partidos não deram respostas às expectativas do brasileiro.
É evidente, para não cairmos no simplismo que condenamos que, por certo tempo, os programas partidários serviram satisfatoriamente aos que participavam da vida política nacional, no entanto, eles foram perdendo força pelo descompasso com o nosso desenvolvimento histórico, em suma, com a realidade social. Daí, para o que chamamos de crise de identidade dos partidos o passo foi pequeno. De repente, ficamos com um sistema político teórico, às vezes bem elaborado, mas sem aplicação prática.
Este é quadro geral dos partidos brasileiros que tende a ser superado: a busca de uma identidade pública. No nosso entendimento, essa identidade só será alcançada com a construção partidária a partir da participação da população e formação de quadros.
O PFL de Curitiba conseguiu entender com sabedoria este descompasso entre os desejos do povo e o programa partidário na última eleição. O prefeito Cassio Taniguchi, em contato constante com a população e embasado pelas experiências concretas de quatro anos de administração, foi o primeiro a constatar que a base teórica do programa do partido já estava superada e que um novo projeto deveria ser construído ao se consolidar o trabalho na área social, já desenvolvido na última gestão e ampliado nesta. Ao propor um programa social para os curitibanos, em 12 projetos de governo, Cassio faz com que Curitiba ataque de frente as causas da miséria.
Saúde, transporte, educação, segurança, enfim, a melhoria das condições de vida, são as preocupações do cidadão. Fechar os olhos para essa realidade é condenar o partido, qualquer que seja ele, a ser enterrado pela história.
Ao se ouvir o povo e buscar atender as suas demandas, estamos agregando conteúdo ao programa teórico do PFL com o estabelecimento de uma agenda social. Isto se dá, principalmente com a formação e troca de experiências entre os prefeitos e integrantes do Poder Legislativo. Como instrumento para esta troca de experiência temos em funcionamento a nossa Escola de Gestores Municipais, dirigida pelo Instituto Tancredo Neves, pois sabemos que o partido se constrói na prática e com a modernização constante da gestão pública.
O PFL, em âmbito nacional, observa atentamente Curitiba, pois é desta experiência, com uma ampla agenda social, que poderemos consolidar um partido verdadeiramente comprometido com as causas de cada brasileiro.
- JOSÉ CARLOS CICCARINO é presidente do PFL em Curitiba





