A agência do Zezinho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de novembro de 1996
João José Werzbitzki 
O assunto é polêmico, por isso merece ser apresentado e discutido.
Proliferam, pelo mercado, cada vez mais, as agências de um homem só. As pseudo-agências de publicidade que, munidas de um micro, algum software, às vezes uns free-lancers e muita lábia, chegam em qualquer anunciante prometendo mundos e fundos de resultado, com um mínimo de custo.
Cobram pouco, ou nada, porque não possuem custo, simplesmente. Por outro lado, também proporcionam mínimo resultado, se não for nenhum.
Não existe, no mundo, um profissional que possa dominar todos os conhecimentos e técnicas da publicidade com perfeição. Nem por milagre. Imaginem, então, possuir todos os conhecimentos de comunicação. Além da publicidade, relações públicas, jornalismo, promoção, merchandising, marketing direto, marketing de incentivo, design, patrocínio, eventos, vitrinismo, layout de ponto-de-venda e outros instrumentos fundamentais a uma comunicação de marketing eficiente e total - que é o que um bom anunciante precisa.
Claro que há anunciantes... e anunciantes, assim como há agências... e agências.
Por mais incrível que possa parecer, ainda existem anunciantes que compram preço quando estão comprando propaganda. Quando deveriam estar buscando resultados - bons resultados, ótimos resultados, excelentes resultados, para suas vendas e imagem de marca.
O raciocínio simplista de custos, que pode valer para a compra de parafusos, não vale para a propaganda e a comunicação, porque não estamos comprando por menos para vender por mais. Estamos comprando talento, criatividade, idéia, planejamento, serviços bem executados, eficiência e eficácia, competência, dedicação e até a paixão da agência pelo seu produto.
Agência bem remunerada, vive feliz e tranquila. E quem vive feliz e tranquilo cria melhor. Estou errado?
Mas esta não é a questão deste artigo: a questão é o mal que causam ao mercado e a si mesmas estas one-man-show-agencies, ou as agências dos Zezinhos.
Primeiro, porque não conseguem, por máxima dedicação e conhecimento que possam possuir, cumprir tudo que prometem. Daí surge a insatisfação do cliente, que tem dois efeitos, no mínimo. A agência do Zezinho perde o cliente e o cliente fica ressabiado em entrar em outra aventura - e generaliza: Agência de propaganda é tudo igual, só querem o meu dinheiro. E este é o mal maior.
Agência que pensa no dinheiro do cliente em primeiro lugar nada mais é do que uma predadora, que chega, dá uma mordida e vai embora - sem se importar com a sua moral e credibilidade.
E este desvio de comportamento não é exclusividade da agência de um homem (ou mulher) só. É um defeito que infelizmente é comum em agências pequenas, médias e grandes, onde o cliente é tratado como uma conta, nunca como um cliente.
Agência profissional, séria e comprometida com resultados, no meu entendimento, não é assim. Tanto que às vezes fica até meses sem faturamento algum de determinado cliente, mas não pára de assessorá-lo, de manter-se bem informada sobre ele, seu mercado, seus concorrentes e oportunidades que surgem.
Uma agência de verdade não é mera tiradora de pedidos. É uma extensão do cliente, é uma parceira de verdade, antenada o tempo todo na evolução dos negócios dos seus clientes.
Tirador de pedido é apenas um camelô da propaganda. Vende nesta esquina hoje e noutra amanhã, porque se ficar onde estava os insatisfeitos poderão voltar para tirar satisfação pela enganação do produto barato e vagabundo que foi vendido.
Quero deixar bem claro: não sou contra agências pequenas. Sou contra a falta de competência, de conhecimento, de dedicação, de seriedade, de honestidade pessoal e profissional que crescem a olhos vistos, num mercado onde a exigência de eficiência também não é das maiores, infelizmente.
Há muito anunciante que compra mal os serviços que poderiam alavancar suas vendas e fortalecer sua imagem. Há muito anunciante que prefere pagar menos e obter mais resultados. Há muitos anunciantes que esmagam sua agência nos custos, pensando que está fazendo um grande negócio - quando, na verdade, está tirando o combustível que faria sua agência prosperar e melhorar. Há muito anunciante que não sabe o que quer, por isso especula com o trabalho dos publicitários (assim como há publicitários que se submetem a este ultraje e abuso de poder ilegal, mas talvez nem saibam disso). Há muito anunciante que permite o assédio de agências especuladoras, que pirateiam e o abordam com campanhas prontas e mirabolantes, que solucionam problemas que estas agências nem sabem se existem.
E há publicitários idem: que não sabem o que querem, ou que só enxergam contas em suas frentes (nunca clientes). Publicitários sem compromissos com resultado, credibilidade, honestidade, seriedade e profissionalismo, predadores, como já disse, que fazem muito mal ao mercado. Desde as one-man-or-woman-show-agencies a agências que vivem na mídia apregoando conquistas de contas novas, mas que nunca revelam quantos entram por uma porta, fazem um trabalho ineficaz e saem por outra (ou pela mesma) conscientes de que aquela agência era só lábia.
Não vou consertar o mundo, nem sou o mais perfeito profissional do planeta, mas tenho consciência de que pouco sei, e de que preciso me cercar de bons profissionais para poder realizar o melhor trabalho possível para os meus clientes. Não interessa tudo que já fiz e estudei, não interessa. O que interessa é que sozinho não sou ninguém... e nunca desejei ser a agência do JoãoJosezinho.
Só com um excelente time a gente consegue vencer.
Não dá pra enfrentar o mundo sozinho.
- JOÃO JOSÉ WERZBITZKI é diretor da JJ Comunicação, de Curitiba.


